Entrevistas

Entrevista: Ricardo Fortunato de Oliveira

"Tranquilo e sossegado" mas de olho nas eleições de outubro do ano que vem

Lá se vão quase três anos que Ricardo Fortunato de Oliveira (PMDB) deixou o cargo de prefeito de Trindade depois de ser batido nas urnas pelo atual prefeito Jânio Darrot (PSDB), nas eleições de 2012. É, o tempo realmente voa. E conversamos com o líder peemedebista em uma longa entrevista que publicamos na íntegra aqui neste espaço.

A conversa com o ex-prefeito de Trindade durante mais de uma hora, em Goiânia, foi interessante. Acho que é importante sabermos o que anda pensando Ricardo Fortunato que deverá disputar novamente o cargo de prefeito com o atual, Jânio Darrot, nas eleições de outubro de 2016. Se isso ocorrer, será a revanche entre os dois políticos. Afinal, Fortunato venceu a peleja em 2008 e perdeu a disputa em 2012. É claro que o grupo do ex-prefeito quer porque quer retornar ao comando da gestão municipal da “Capital da fé”.


Veja a seguir os principais pontos da entrevista. Boa leitura para vocês.



Ex-prefeito Ricardo Fortunato em fase tranquila.
Há três anos fora do poder, como está sendo a vida pós-prefeitura?
Ricardo Fortunato - Estou muito tranquilo. Sempre fui uma pessoa que Deus me deu várias oportunidades. Tive a chance de ser formado em Administração de Empresas, formado também em Direito, especialista em Direito Civil e Processual. Fiz MBA na Fundação Getúlio Vargas em Gestão Empresarial e, sempre de forma paralela, nós mantivemos as nossas atividades empresariais. Caminhamos muito bem, sempre um excelente relacionamento no nosso grupo. E inclusive nós estamos iniciando novas atividades no setor empresarial na área de energia elétrica. Estamos fazendo uma parceria e dentro disso, se Deus quiser, a partir de 2016 estaremos aí, somos um dos parceiros, abrindo aí uma indústria no segmento de energia elétrica no Estado de Goiás. Conseguimos isso depois que viemos de São Paulo e com alguns amigos estabelecemos essa parceria. Estou, assim, sossegado. Tive muito tempo de fazer muitas reflexões. Tive momentos nesses três anos, quando terminou o mandato de prefeito, que nós perdemos as eleições e a partir do dia primeiro de janeiro nós fomos cuidar da nossa vida na iniciativa privada, mas sempre olhando e desejando muito o bem, principalmente para o então futuro gestor, em relação a nossa cidade. Quando nós fizemos uma reflexão, tivemos tempo de refletir, nós avaliamos que tínhamos que torcer pelo bem, que as coisas acontecessem da melhor forma, que as parcerias com o governo de Goiás fossem eficazes para atender os anseios da nossa comunidade trindadense e, de contrapartida, que ajudasse a melhorar mais ainda a qualidade de vida dos nossos moradores.

O pessoal fala muito que a derrota ela ensina muita coisa, traz até mais ensinamentos do que a vitória que acaba falseando, maquiando, o resultado quando se é muito vitorioso. Você pensa, mais ou menos, por aí?
Ricardo Fortunato – Eu tive a chance, né? A nossa vida pública começou muito cedo. Talvez eu seja o primeiro vereador [de Trindade] que encerrou o seu mandato em 2008, no dia 31.12.2008, e no dia primeiro de janeiro de 2009 já era o prefeito de Trindade. Eu fui agraciado com uma benção dessas, graças a Deus consegui. E quando você ganha, a vitória é cheia de heróis. Você nunca vence sozinho. Tem muitas pessoas que falam “não, eu ajudei, eu elegi, eu ganhei a eleição”, mas quando você perde o pleito eleitoral aí é diferente. A derrota ela é solitária. Mas, entre aspas, não existe derrota, existem “antecipações de vitórias”. É a forma que nós enxergamos a nossa vida. Nós enxergamos que essas dificuldades servem como uma linha de aprendizado. Tivemos tempo para fazer uma reflexão, avaliarmos os pontos que nós falhamos, os erros que nós cometemos, mas Deus sempre nos abençoou muito. Não teve a questão da insatisfação pela saída, muito pelo contrário, como eu falei anteriormente, eu saí da Prefeitura e já retomamos nossas atividades empresariais no dia primeiro mesmo de janeiro de 2013 quando nós perdemos o pleito eleitoral e Deus já nos agraciou com grandes negócios, grandes oportunidades, e nós estamos muito felizes com as oportunidades que Deus ofertou a nós.

Tem algum grande erro, aquele erro capital?
Ricardo Fortunato – Na verdade existem vários acertos que são feitos, existem as falhas que são cometidas, porque se não nós tínhamos comemorado a questão das vitórias. Uma coisa que a gente nota é que o tempo, o livro, sempre o Vinícius de Morais falava que “o livro traz conhecimento e só o tempo traz sabedoria”. E nós entendemos isso hoje. Eu entrei muito novo, realizamos muitas ações, fizemos muito pela cidade. Algumas coisas ficaram como em toda gestão... todo gestor, não existem só coisas boas e também não existem só coisas ruins que são feitas no transcorrer do mandato eletivo que se faz. Cada pessoa contribui de alguma forma, mesmo que o sucessor, sendo oposição, não queira reconhecer isso, se não a cidade não seria construída. Se a gente fazer uma análise, a cidade não seria construída. Uma delas, que a gente fica observando, é que enfrentei muitas perseguições, enfrentei muitas dificuldades, nunca consegui estabelecer uma boa relação, não por minha parte, mas em relação aos governos. Nós não conseguimos essa boa relação...

Governo estadual?
Ricardo Fortunato – Governo do Estado. Governo federal nós tivemos. Fizemos aí o maior plano habitacional proporcional do Brasil. Você observa o Jardim Scala, por exemplo, são 1,2 mil casas num local só, até o Manacá que nós fizemos também são 231 apartamentos localizados ali na saída da Vila Pai Eterno, fora liberações e outros conjuntos que foram criados, igual ali no Imperial, em frente à fábrica de refrigerantes Imperial, só lá foram seiscentos e tantos, e quantas outras liberações que nós fizemos para o desenvolvimento de nossa cidade em construções que foram feitas. Sempre tive um relacionamento estreito também levava em consideração que a nossa cidade por fazer parte, e uma cidade com mais de 100 mil habitantes possibilitava a chegada de muitos benefícios do governo federal, tais como, nós podemos citar todos os CMEIs que até hoje estão sendo construídos, nós deixamos os recursos alocados, trouxe também o IFG, o Instituto Federal Goiano, onde fica estabelecido que 50% dos cursos são profissionalizantes, igual às antigas Escolas Técnicas, 25% de Licenciaturas e 25% de acordo com a demanda do município, que era nosso interesse inclusive implantar engenharia civil e o curso de direito e isso seria gratuito, ali em frente a quadra de esportes e lazer que nós também trouxemos no Setor Monte Cristo. Todas as questões desses CMEIS, nós fizemos as parcerias junto ao Governo Federal, a revitalização da região central, tivemos ajuda também na construção da parte que foi direcionada na Praça da Prefeitura, fizemos a Praça da Cadeia, fizemos a Praça do Setor Sul, fizemos a Praça do Colégio Estadual Castelo Branco e fizemos alguns asfaltos também. Estabelecemos essa grande parceria, além de fazermos o dever de casa. Sempre fizemos a questão das reservas. Trabalhávamos com um ajuste muito pesado, porque nós não contávamos com ajuda do governo estadual, contávamos apenas com a ajuda do governo federal, então nós tínhamos que fazer nossas economias caseiras que possibilitou fazer a pavimentação asfáltica do Setor Sol Dourado, Novo Paraíso, Decolores, Setor Bela Vista, Palmares, lá do Corredor do Palmares, Maysa II, Ipaneminha, o Calçadão ligando o Dona Iris II ao Dona Iris I, fiz o Calçadão ligando o Dona Iris I ao Setor Cristina, fizemos o Colégio e a pavimentação asfáltica do Ipanema, pavimentamos o Jardim Floresta, pavimentamos o Jardim Marista, Pavimentamos o Cristina, esses integralmente. O Marista só ficaram 2 ruas que nós não conseguimos em virtude do tempo chuvoso. Ficamos dois setores na região Leste que nós não conseguimos fazer a pavimentação, que foi o Setor Bandeirantes que as máquinas estavam trabalhando, era mês de outubro, antes de outubro, setembro, estavam trabalhando, fizeram uma representação, uma denúncia, e o promotor suspendeu a conclusão da pavimentação asfáltica, e o Pontakayana que é o setor maior que tem na região, com mais de 177 mil metros quadrados, apesar que as áreas que eram povoadas eram de 74 mil metros quadrados e nós não conseguimos concluir porque tinha muita coisa para ser levada e muitas coisas a serem feitas. Então nós fizemos, ficou o Setor Garavelo de fora, que nós fizemos várias medidas, onde era realmente habitado, nós tínhamos 5,7 mil metros quadrados de pavimentação asfáltica. No Setor Mariápolis eram 2 mil e poucos metros quadrados e nós não conseguimos porque eram várias ações. Então, todas essas ações de asfalto que citamos aqui, teve época que nós estávamos com 4, 5 frentes de asfalto trabalhando diuturnamente com recursos única e exclusivamente da Prefeitura Municipal de Trindade.

De tudo o que você falou aí, pode-se dizer que o grande erro foi de relacionamento?
Ricardo Fortunato – Não, nós tivemos disso. O relacionamento nós tentamos e isso aí não atrapalhou não. O quê que acontece? Nós tivemos o porcentual das eleições para a vitória, a diferença não foi muito grande e dentro disso as oposições ficaram com muita força, permaneceram com mandato. Tive a oportunidade de, em 2010, o meu irmão Nélio Fortunato ser deputado estadual, o Jânio Darrot também foi deputado estadual e a Flávia Morais, deputada federal, e ambos faziam uma oposição pesada, inclusive influenciando na Câmara Municipal, atrapalhando muito o trabalho nosso a ser realizado. Por mais que eu tinha aquela experiência, que eu também fui presidente da Câmara Municipal de Trindade, conhecia como funcionava a Casa de Leis, mas encontrei uma série de dificuldades, mas em matéria das dificuldades, a gente fala disso, mas eu refiz, não fiz apenas uma reforma, reconstruí todos os postos de saúde da cidade. Reconstruí todas as escolas. Reformei todas as praças. Contratamos, comprei mais de dez ambulâncias, mais de 15 Vans todas zero quilômetro para servir e fazer o atendimento, tanto na zona urbana como na zona rural, então foi um mix de obras e inclusive eles falam uma coisa interessante, que a quantidade de obras que foram feitas dentro do município de Trindade na nossa gestão de 4 anos, em 30 anos nunca se conseguiu fazer tanta obra como nós realizamos dentro desse período. Nós tivemos lá dentro disso, inclusive, foi motivado, quando eu fui fazer os paralelepípedos, na questão do CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente) que foi colocado, houve uma polêmica muito grande em relação ao padre Marco Aurélio.

Aquele foi um erro?
Ricardo Fortunato – Foi, foi. Eu acho que aquele lá foi, foi, faltou um diálogo naquele momento, mas depois eu fui ainda conversar com ele [padre Marco Aurélio], nós conversamos depois, ele me contou os motivos que tinham sido, porque eu o consultei previamente. Naquele momento quando nós fomos fazer estava para ser tombada pelo patrimônio histórico a Igreja Matriz. Aquelas vias dos paralelepípedos, elas haviam sido efetuado interferências, inclusive pela gestão anterior que tinha efetuado. Só que eles tinham aplicado a lama asfáltica e nós íamos aplicar a questão do CBUQ. E nós íamos fazer uma doação, fomos eu e o meu irmão, o então deputado estadual Nélio Fortunato, para fazermos uma doação para a reforma, de acordo com o tombamento barroco, que era a questão do lado barroco da igreja que tinha sido colocado. Fizemos essa contribuição e apresentei ao padre Marco Aurélio o projeto. O quê que ele achava, por que o projeto era maravilhoso, porque era para ser estabelecido, que era para ser colocado, mas recebeu uma visita e num sábado fui pego de surpresa, pois todos os meios de comunicação estavam utilizando um termo que eu estava acabando com o patrimônio histórico da cidade e eu tinha a anuência dele anterior, tinha conversado com ele a três horas atrás, quando foi para falar daquela polêmica, e o quê que aconteceu foi para a porta da Prefeitura, criaram com vários populares, principalmente que já estavam com a expectativa, morador da Av. Eugênio Jardim, que era o sonho deles que acabasse com a questão dos paralelepípedos e fundamentado. Expliquei ao padre Marco Aurélio e ele entendeu claramente, falou que era a melhor obra que íamos fazer dentro da cidade de Trindade, que era a questão das estruturas das casas que já estavam comprometidas, a questão da acessibilidade do cadeirante que não tinham como trafegar, as calçadas elas são altamente estreitas e praticamente os postes [da iluminação pública] tomam conta da largura dela toda, as pessoas de idade que tropeçavam, caíam e machucavam e até utilizei a brincadeira, até as moças bonitas não têm condições de usar salto alto porque as pedras quebram a questão dos saltos das meninas e dentro disso nós fizemos e essa população nós fomos para a porta da Prefeitura e nós descemos não com a intenção de afrontar nem gerar um fato desses não, mas como era uma multidão, daí infelizmente algum descontrole, alguns não deixam de cometer algumas provocações. O objetivo era conversar com o padre. “Olha aqui, padre, está tudo aqui, que aqui se faz”... porque teve uma interferência por parte do Ministério Público que acionou o juiz, foi paralisada (sic) as obras, inclusive utilizando força policial. Então, o perfil do tombamento histórico. Só que depois nós apresentamos e foi até divulgado em todos os meios de comunicação que tinha feito o tombamento. Abriram ação por improbidade administrativa contra mim, nós comprovamos, inclusive através do Iphan, demonstramos com as fotos, com as filmagens que nós fizemos e fui absolvido. Da mesma forma o boi no rolete, quando nós fazíamos as inaugurações das praças, o Ministério Público interferiu e dentro dessas ações de interferência abriram uma ação de improbidade contra mim, só que fui inocentado e os meios de comunicação nunca mais comentaram, inclusive na questão do tombamento histórico da cidade também fui absolvido, demonstrando que lá nunca houve tombamento. A única coisa que foi tombada foi a Igreja Matriz, que foi tombada há três e aquelas ruas não faziam parte do tombamento e melhorou e melhorou muito a vida... tanto é que foi que eles pegaram... É claro, não fizeram de CBUQ, fizeram de lama [asfáltica]. Aplicaram a lama umas 4 ou 5 vezes pra ver se equilibravam ali na Eugênio Jardim, a parte que tinha sido embargada pelo sistema de obras. Então houve o quê? Juventude é a fase mais maravilhosa, mas às vezes tem algumas atitudes que você poderia ser mais comedido, poderia ter ligado. Ó, padre, nós somos da mesma idade, nós somos da mesma geração, se o senhor achar que não é interessante não vamos fazer essas obras, não quero problema, não. Fui criado num berço católico, respeito cada um e dentro disso, como era o padre Robson, padre Marco Aurélio e eu, me lembro de no dia da missa da minha posse, o padre Fábio Bento ainda, numa missa, dizendo, “olha, vocês têm que ter muita cautela, vocês três. Porque vocês são todos da mesma idade, padre Robson, padre Marco Aurélio e agora o prefeito da cidade. Vocês vão ter que ter muita sabedoria para cuidar dessa situação”. E eu acho que o momento faltou sabedoria da nossa parte.

Aquela gravação, aquele vídeo no Youtube...
Ricardo Fortunato – Mas dentro disso não foi a questão do vídeo. O vídeo vem com uma pitada de maldade. Aquilo não foi feito daquela forma. Eles pegaram trechos e formularam. Então dentro disso nós nunca fizemos uma agressão, muito pelo contrário, praticamos, seguimos, somos parte do mesmo... respeitamos os católicos, respeitamos os evangélicos, respeitamos os espíritas, respeitamos todos os segmentos religiosos. Agora, aquilo ali foi aquela historinha: faltou diálogo, faltou sabedoria, faltou conversa. E dentro disso eu tenho certeza absoluta que o padre tem uma concepção diferente do acontecimento hoje. Conversamos com o padre Marco Aurélio. Padre Robson tem uma concepção diferente e nós temos uma concepção diferente. O que nós avaliamos é o tempo, queira ou não queira, essa foi uma das maiores falhas, muito afoito pela questão da juventude. Poderíamos ter tido a tranquilidade, como resolvemos vários problemas. Quando eu liberei, por exemplo, a questão da Basílica, a questão da construção da Basílica, foi dois dias. O padre Robson indicou a Tallita Di Martino, que foi até secretária de Turismo da minha administração, poderíamos ter feito isso, porque a questão da descida da multidão deu uma conotação diferente. Aí as pessoas pegaram isso e deram uma conotação política, como se nós estivéssemos contra a religião. Nunca tivemos, muito pelo contrário, sempre tivemos uma relação estreita. A Basílica, todos os procedimentos que foram feitos levariam 40, 50 dias, eu fiz em dois dias para entregar para o padre Robson. O padre Robson estava junto com a gente. Nós temos as gravações, nós temos as filmagens, quando eu entreguei a ele e automaticamente nomeei a Tallita secretária de Turismo da nossa gestão.

Qual sua análise hoje do atual quadro político de Trindade?
Ricardo Fortunato – O quadro como sempre, a política não traz muitas novidades nem muitas surpresas. Praticamente quando se inicia um pleito, quando se ganha a eleição, é o momento que você tem a lua de mel. Você chega no mês de dezembro, por exemplo, você tem 99,9% dos votos e quem perdeu não tem nenhum dos votos, até que você começa a nomear os secretários, você começa a nomear os superintendentes, o superintendente queria ser secretário. O que você nomeia diretor queria ser superintendente ou secretário e começam os transtornos da questão da administração. Trindade, todas as vezes no início dos pleitos, nós temos lá 6, 7 candidatos, aí vai afunilando, afunilando, afunilando e, no final, se define por duas ou três forças políticas, que é o que eu avalio, hoje, que devemos ter dentro da cidade de Trindade. São três forças políticas principais, no máximo. Pode acontecer de ter duas e ser uma campanha polarizada, mas automaticamente que eu avalio hoje no cenário é que deve ter três correntes políticas, principalmente porque as coisas mudaram. Essa minireforma política, se você observar, ela diminuiu o tempo de campanha. Então, para ser apresentado um novo candidato talvez não dê tanto tempo. Se você avaliar nós temos 45 dias de campanha, vai uns 8 dias para tirar o CNPJ, sem CNPJ você não pode fazer material; mais uns 7 dias de gráfica, 15. 30 dias de campanha. Vai ser igual a café: pouco, quente e forte. Automaticamente as pessoas que estão no cenário de situação e oposição já levam uma grande vantagem. É muito difícil criar um nome novo para fazer uma disputa eleitoral no município de Trindade.

Você acha que por aí podem estar o prefeito Jânio Darrot (PSDB), Nélio e Ricardo Fortunato (PMDB) e a deputada federal Flávia Morais e o ex-prefeito George (PDT)?
Ricardo Fortunato – Essa aí é a tendência que se faz. Mas agora a gente não sabe hoje como que está a aproximação... por que faz parte da linha do governo. Então nós não sabemos. Saem três candidatos ou sai uma campanha polarizada, que nós avaliamos que dentro disso, vai ser o grupo do PMDB com os partidos aliados, vai ser o PDT com os partidos aliados e o PSDB com os partidos aliados, que é a tendência natural. Queira ou não queira, 2016 começa a desenhar a campanha de 2018 e é muito dinâmico. Estamos aqui hoje falando de pleito eleitoral. Vamos fazer uma análise fria, bem racional mesmo, parece que foi ontem que nós perdemos as eleições e hoje nós estamos discutindo pleito eleitoral, a sucessão. Três anos já se passaram e agora tem mais uma novidade essa será a última vez que terá reeleição. Eu, na minha concepção, vai ser bom para os municípios, vai ser bom para os Estados e vai ser bom também para o governo federal. Essa oxigenação ela é necessária, ela é importantíssima que se faça. Cada um fazer a parte sabe que hoje você assume, amanhã você vai ter que entregar. Então você vai se preocupar única e exclusivamente, a sua maior preocupação não vai ser com a questão política, você vai se preocupar com a questão administrativa.

Uma coisa que a gente percebe é a falta de oposição. Parece que em Trindade não tem oposição. Você perdeu as eleições e a gente não vê articulação da oposição em Trindade e isso é porque a gente não está vendo bem ou porque realmente não tem oposição?
Ricardo Fortunato – Não, ela é desse jeito. A política é muito dinâmica, ela não é igual à matemática, que é exata, ela oscila muito tempo. A política está sendo feita a todo momento. Agora a maior oposição ao gestor são os seus próprios atos e as oposições elas vão articulando nas pequenas reuniões, nos encontros, nos pequenos cafés da manhã. É como se fosse um tempo chuvoso, é o momento de plantar. Você vai plantando a sementinha e ela vai ramificando. Então essa é uma tendência natural. Agora, quem detém o controle da Prefeitura Municipal e também juntamente com o Governo tem uma tendência de que a oposição não seja tão acirrada, por parte dos representantes políticos, não quer dizer por parte da população que ela tem um sonho. Quando você é eleito existe uma expectativa em cima de você e em cada momento em que você não vai gerando a expectativa essas pessoas começam a passar a ser oposição. É que no momento se você se apresentar, você vai ter o sentimento de despeito. Ah, porque perdeu o pleito eleitoral e por isso está fazendo essas colocações. Então você dá o tempo para a pessoa administrar, depois do tempo consolidado administrativo, a partir do mês de janeiro começa a discutir as questões políticas. Pode ter certeza absoluta disso que está igual ao carvão, tá pegando fogo. As articulações são feitas, as pessoas vão se acomodar, os grupos que estiverem satisfeitos eles vão começar a defender a base eleitoral; os que estiverem insatisfeitos vão começar a ramificar os seus projetos de governo. Política não acaba nunca.

A gente vê essa questão do PMDB regional em Goiás que agora não conseguiu fazer novos acordos e a Comissão Executiva vai provisória. Essa confusão, qual é a razão disso?
Ricardo Fortunato – É o que nós ficamos felizes. Tudo que é grande, tudo que tem expectativa de retomada de poder às vezes tem realmente essas indisposições. Nós tínhamos que estar preocupados se o partido tivesse paralisado, se ninguém tivesse interesse no comando, se as pessoas não tivessem interesse em fazer um projeto para 2016 e, de contrapartida, um projeto para 2018. O que nós vimos nisso aí é uma questão natural. Isso são novas lideranças surgindo, é a turma tradicional que também faz parte da tradicional da política se mantendo com um posicionamento firme. Então, eu acho que nós estamos no caminho certo do sucesso, é o tripé: respeito ao passado, avalia o presente, projeto de futuro. Temos essas três gerações dentro do partido. Certeza absoluta que as coisas vão se ajustar. A questão da Comissão Provisória já foi encaminhada e findou o exercício do Diretório Estadual no dia 31 de outubro, agora vai ser encaminhada a Comissão Provisória, mas no prazo máximo de 90 dias se fazer um Diretório Estadual. Então vai ser assim muito dinâmico e isso vai ser bom para oxigenar o próprio partido.

Vai dar um acordo agora entre os Maguitistas, os Iristas?
Ricardo Fortunato – Tudo, vai dar um acordo. Eu tenho conversado, a nossa relação é muito estreita com as pessoas. Então o Nailton Oliveira, o Daniel Vilela que pleiteou a presidência, o Zé Nelto que fizemos parte da mesma chapa, lá não existia ganhador e perdedor nessa história. Termino o pleito, se tivesse disputando a questão das chapas, todos nós somos peemedebistas, porque o que está sendo discutido não é nem a questão de uma Executiva, a maior discussão era a questão do presidente. O grupo da Executiva praticamente já estava definido. Era dentro de um consenso de chapa. Então vai ser interessante. Então, o Sandro Mabel que não tinha interesse agora já motivou, o Iris Rezende, o Nailton Oliveira vai continuar com o posicionamento, o Daniel Vilela, o Zé Nelto, nós também. Então eu tenho certeza absoluta que o partido vai ganhar e vai ganhar muito com essa situação.

Você acha que o Iris Rezende tem que ser o grande nome ainda?
Ricardo Fortunato – Não, o Iris... nunca existiu isso na cabeça dele. As pessoas têm uma concepção diferenciada. O Iris não queria, tentou várias vezes, reiteradamente, não disputar o pleito eleitoral de governo. Agora novamente é normal, as pesquisas destacam ele de novo. E já vem todo mundo atrás dele para ele ser candidato à prefeitura de Goiânia. Agora, o Iris é um nome respeitado, tem experiência, tem história, mas nunca coibiu o surgimento de novas lideranças, muito pelo contrário. Ele sempre incentiva, 24 horas. E o partido é tão grande que nós vamos detectar isso a partir de agora. São 20 anos. Nós estamos há 20 anos na oposição, sem ganharmos o pleito eleitoral. Automaticamente, quando nós passarmos a ser governo, a partir de 2018, as coisas vão mudar, vai-se fortalecer, mas ainda continua todo mundo unido. E essas divergências são importantes, principalmente para você buscar a convergência e esse é o objetivo maior.

Você como pessoa influente até no Diretório Regional, tem sua articulação aí, como você viu aquelas notícias de que o PMDB estadual não prioriza as eleições em Trindade?
Ricardo Fortunato – Nós temos duas coisas... O que passou foi uma nota com 9 cidades onde tinham televisão, que tem a questão do hábito televisivo, casos de Catalão, Itumbiara, Goiânia, Aparecida, Anápolis, Rio Verde e essas têm a cobertura televisiva. Essa é a interpretação. A nossa não tem. Essa interpretação foi errônea. Trindade está no centro. As pessoas estarão... Toda a nossa bancada estadual, a bancada federal. O Iris candidato iremos fazer a campanha dobradinha lá entre o PMDB de Trindade e o PMDB de Goiânia. Então todo esse tipo de relação. Foi apenas uma nota e você pode observar que a partir de janeiro nós vamos cansar de ver as caras do pessoal nosso fazendo a articulação. Nossos deputados estaduais, federais, nossos renomes, nossas maiores lideranças estarão junto conosco em Trindade para conquistarmos o pleito eleitoral.

Como está o preparativo do PMDB de Trindade para as eleições municipais?
Ricardo Fortunato – Estamos muito mais preparados...

Presidente do PMDB é o Nélio Fortunato?
Ricardo Fortunato – É, continua na presidência. Fizemos o Diretório. Dentro disso, hoje, nós temos mais de... Vai ser o único partido dentro da cidade de Trindade que vai ter que ter convenções para a escolha dos candidatos proporcionais [a vereador]. Já estamos preparados, a chapa já está pronta. Vamos lançar essa chapa. Já estamos agora em busca das alianças, porque dentro do PMDB não tem mais espaços, não cabe mais, para disputar o pleito. Nós já estamos com mais de 40 candidatos, por exemplo, nós vamos lançar 27. Então nós vamos remanejar, hoje é o partido que tem que ter... Só para você ter noção, nesse período de tempo nós estávamos, continuamos, trabalhando. Hoje o partido, da forma como nós fizemos, ele tem mais força na eleição proporcional do que na época que eu era prefeito.

Vocês têm condições de lançar chapa completa?
Ricardo Fortunato – Já temos partidos aliados que nós estamos ramificando nomes para eles, por que dentro do PMDB já está completo. Nós estamos 100% tanto nos 30% das mulheres, que são obrigatórios, tão quanto no complemento do restante 70% de homens.

E o nome majoritário [para prefeito]?
Ricardo Fortunato – É, a cada momento não tem jeito, as pessoas chegam, não deixam de cogitar. Fui prefeito, o Nélio foi deputado. Não deixam de cogitar novamente para que se faça uma eleição de comparação. E o que acontece dentro disso eu sou tranquilo. A gente segue, político, você já viu, não tem decisão. Os galhos mais rijos são os primeiros a serem quebrados. Então, a todo momento você tem que flexibilizar. E se houver aceno por parte da população, então claro que nosso nome estará à disposição para disputar com a maior tranquilidade do mundo, como disputamos todas as eleições.

Você venceu uma, perdeu outra, você quer essa revanche?
Ricardo Fortunato – Estou tranquilo. Se a população acenar e fizer uma análise que estamos prontos. Uma coisa é certeza absoluta, o PMDB tem candidato a prefeito da cidade de Trindade. Já está sacramentado. Isso aqui nós já estamos avaliando. Nós não estamos preocupados, o partido já está pronto com essa definição, tanto que já preparamos as candidaturas proporcionais, já temos os nomes também majoritários, tem outros nomes também que podem surgir. Uái, está aberto o partido. Qualquer um dos nomes que tiver destacado e ainda há tempo para alguns nomes surgirem para disputar a candidatura de prefeito ou vice-prefeito. O vice fica mais complicado porque automaticamente nós vamos fazer as alianças, mas a candidatura de prefeito o partido está de portas abertas. O que nós consideramos, dentro disso, temos a maior tranquilidade do mundo é ganhar a corrida eleitoral, fazer 2017 quando o partido... ter tranquilidade também de estar administrando conjuntamente com um governo nosso, do PMDB, em 2018, com partidos aliados.

Para uma revanche Ricardo Fortunato X Jânio e ver o que dará isso, digamos, essas judiciais estão sendo sempre notícia. Agora, recentemente, mais uma ação civil pública contra sua administração, isso lhe desanima, por exemplo, a continuar na política?
Ricardo Fortunato – Eu, pra mim, eu fico dos mais sossegado. Eu sou da área, eu sou advogado e dentro disso algumas notícias que tem pra nós... Eu agora estou tendo informação por você. Eu não tenho conhecimento nenhum dessas ações. Eu vi uma ação num jornal essa semana sobre o “Triii Trindade”. Outras ações eu não tenho nem conhecimento. Eu não fui notificado em nenhuma, mas assim que for, estou preparado para discutir, estou preparado para a questão da ampla defesa e contraditório. Se for cerceado, observa para você ver, é simples. Se você observar O Popular de anteontem, por exemplo, o Vanderlan foi acusado em várias ações de improbidade, buscaram... por cerceamento de defesa. Por enquanto eu não tenho conhecimento nenhum dessas ações que estão tendo. Eu fui inelegível, eu sempre enfrentei uma série de dificuldades. Quando eu ganhei as eleições de... quando eu fui vereador mais votado da cidade de Trindade, em 2004, que tive 1.031 votos, falavam que eu não tomava posse. Aí tomei posse falavam que eu não terminava o meu mandato. Aí quando eu fui, fiquei na presidência, durante o período de 6 meses, o Sassá me antecedeu, o Ézio Bernardes, que eu gosto muito. Dentro disso eu fiquei 6 meses, depois falaram também que eu ganhei a Prefeitura... Primeiro que eu não podia ser candidato a prefeito, aí depois que eu ganhei falaram que eu não tomava posse, depois falou que eu não terminava o mandato. Então, na minha concepção, eu só fui inelegível no ano de 2012 porque eu perdi as eleições. Se tivesse ganho teria tomado aceitado, teria tomado posse e naturalmente não tenho nada que me prejudique, não tenho conhecimento de nenhuma ação que me prejudique, a questão da minha candidatura dentro da cidade de Trindade, que possa me consolidar e eu sou acostumado a lidar com essas situações. Eu acho da seguinte forma. Claro que a oposição está no papel dela, não vai me elogiar e não vai me aliviar. Agora, tem essas ações que eu citei dois exemplos de improbidade administrativa que deu até uma conotação muito maior que envolveu a questão do patrimônio histórico, eu fui absolvido de pronto em todas as duas e não teve divulgação nenhuma e isso não me assusta, isso não gera nenhum tipo de desestímulo, pelo contrário. É o seguinte, se essas ações hoje, existe essa rigidez e eu acho que é essa a cautela que estão tendo, eu tenho tentado, eu converso com as pessoas que hoje fazem parte da administração atual e falam. Gente, hoje amadurecemos. A vida é couro de boi, hoje eu te dou, amanhã eu recebo. Então a gente tem que tomar muito cuidado com essas colocações. Hoje eu respondo, amanhã outras pessoas estarão respondendo a um processo nessas ações. Agora, eu sou o tipo de pessoa com posicionamento. Eu como prefeito eu tomo decisões, eu não deixo o Ministério Público administrar a minha prefeitura. Desde o momento que te elegeu o povo acreditou em você e fazer recomendação para mim... e tem outra coisa, não é nem muito normal, a gente não sabe a quantidade dessas ações, eu não tenho conhecimento delas. A hora que eu for notificado, automaticamente vão abrir a questão do amplo direito de defesa e do contraditório. Do que eu ouvi falar, específico do "Triii Show", que é a única que eu sei, que eu li no Diário [Diário da Manhã] e no Popular, mas já foi acolhida pelo próprio Tribunal que me auditou e já foi sanada a irregularidade. Então, eles não deixaram nem terminar o processo administrativo e já vieram com uma propositura de ação por ato de improbidade. Estou tranquilo, sossegado, não sei o que tem, mas a hora que vier automaticamente eu terei a oportunidade de defesa, de ampla defesa, questão do contraditório. Não vai ser cerceado o meu direito de defesa, se for a gente anula e vou ter a tranquilidade de, se houver um aceno por parte da população, de ganharmos as eleições e entregarmos novamente, e ser novamente o prefeito, com muito orgulho da nossa cidade de Trindade.

Do seu período de prefeito tem algum arrependimento?
Ricardo Fortunato – Não, não tenho. Muito pelo contrário. Foi uma história de aprendizado. Você ser filho e depois ser pai. Agente ser só filho não compreende muitas ações que são feitas, quando você passa a ser pai você passa a enxergar o mundo de forma diferente. Eu até falo, se invertesse, a gente poderia ser pai para depois ser filho, não teria um filho ruim.

Você tem quantos?
Ricardo Fortunato – Eu tenho dois. O Rafael Fortunato, tem 6 anos, e tenho a Júlia, de 2 aninhos. Um casalzinho. Então dentro disso a concepção muda, as histórias mudam, o tempo muda e tenho certeza que quando as pessoas... e os erros que nós cometemos são todos erros que fáceis de serem corrigidos. Quando você, se eu tivesse ganho o pleito eleitoral eu não teria nenhum defeito. Como nós perdemos... Quem tem intenção de permanecer junto à gestão se elogiar passa a enfrentar a linha de perseguição da atual gestão. Isso também é natural. Eu tenho uma grande satisfação. A gente nasceu na cidade de Trindade, me identifico com a cidade, cresci, as oportunidades foram geradas. É um povo amável, querido. É um povo que precisa da proteção do poder público. Nós temos lá 2% das pessoas que têm uma capacidade financeira da classe média a alta. 98% precisam das ações da Prefeitura, precisam das ações sociais. Ação social não é apenas comida, precisa de uma bolsa, precisa de um remédio, precisa de uma cirurgia. 98% da nossa cidade ela ainda precisa dessa linha de proteção. Então para mim foi o maior aprendizado que eu tive na minha vida. Você pode fazer uma análise e perguntar, “Ricardo, e a questão do convívio?”. O convívio com as pessoas é a melhor coisa ali que tem. Porque você vai desenvolver, por exemplo, no meu campo, no meu escritório de advocacia. Chego lá, o foco principal, além de fazer um atendimento de excelência, mas a questão é privada. As pessoas que vão te procurar tem uma condição financeira razoável, se você atender você vai ter o recurso financeiro de contrapartida pelo seu serviço prestado. No poder público não. Ele é uma entrega. E dentro do escritório para você mexer com 300 pessoas, praticamente você vai um ano e dentro de uma Prefeitura você recebe 300 pessoas em um dia, quando você faz atendimentos. E ali cada pessoa que chega, que senta, seja um empresário, seja um comerciante, seja um funcionário público, seja a pessoal que está desempregada, seja dos serviços gerais, todas as pessoas, é igual o ditado, “não existe uma pessoa tão sábia que não tenha nada a aprender e não existe uma pessoa que não tenha conhecimento, não tenha nada a ensinar”. Então, todo dia você aprende um pouquinho, até de valorizar um pouco mais a nossa vida e ver as oportunidades que Deus deu para nós, porque dentro disso, dependendo do grupo onde você vive, você imagina que todos são iguais. Não são.Tem muitas pessoas que sofrem, que necessitam. Por isso essa gratidão desse tipo de sentimento. Quando entreguei as 1,2 mil casas, quando entreguei os 231 apartamentos, quantas obras fizemos, quantas cirurgias foram feitas, quantos benefícios, setores pavimentados que de primeiro era um trieiro, que um lote valia 3 mil reais e hoje você vai e vale 80, 90 mil reais e a pessoa não vende. As casas que valiam 80 mil reais hoje valem 250 mil reais. Não existe uma coisa melhor do que isso. E outra coisa. Fiz toda essa pavimentação asfáltica e nunca cobrei um real de asfalto e nunca aumentei IPTU.

Se você tiver a oportunidade de novo o que você muda em sua conduta no exercício do poder?
Ricardo Fortunato – Tudo que nós tivemos de experiências que não foram proveitosas nós vamos mudar. Essa é uma... O problema é que você, muitas das vezes, você começa a atribuir. Quando você tem muitas responsabilidades, você começa a delegar. O problema foi acreditar demais nas pessoas. Então dentro disso você pensaria que estava bem representado, em algumas áreas eu não fui bem representado. E as pessoas aqui não desvinculava. Quando eu fazia, foi a pessoa que realizou; quando fazia, não atendia os interesses ou não atendia, aí a responsabilidade vinha diretamente no peito do prefeito. Então, hoje, eu tenho a concepção do seguinte, desde o momento, se você vai colocar o seu nome à disposição, você tem que estar consciente plenamente que vai dedicar sua vida, de manhã, de tarde, à noite e de madrugada para a questão da gestão nos quatro anos. Seja na questão da entrevista, seja na colocação, seja nas respostas, seja no contato com o público. Prefeitura é só local de despacho. Local do prefeito tem que ser no contato diretamente com a população, porque eu enfrentei isso. Quando eu fui candidato, fui para a reeleição eu não queria ser candidato à reeleição. Reuni com várias pessoas que fazia parte de vários grupos e perguntei quem seria o candidato que nós íamos ajudar. Não apareceu ninguém, acabou, sobrou a responsabilidade para mim. Mesmo durante esse tempo não fizemos uma campanha sem planejamento. E uma coisa que eu sentia demais da conta, a todo momento, teve algumas coisas que eu fui me envergonhando, eu fui pedir, teve pessoas que eu peguei nas mãos delas, que eram meus eleitores, depois de três anos e meio. Praticamente eu já era... porque esse final de mandato você não é mais prefeito, nesse momento aqui você já é candidato. O gestor atual também já é candidato, ele já não é mais prefeito. Hoje o secretário já está querendo jogar o desgaste para cima, o outro quer lançar uma candidatura a vereador pra ver se exime da responsabilidade, que falou que se existe desgaste a responsabilidade não é dele. Então, eu enfrentei tudo isso e, hoje, com a experiência do que eu já passei, teria a tranquilidade de fazer uma exímia administração, uma maravilhosa administração para o nosso povo trindadense, utilizando toda experiência, utilizando toda ainda essa juventude com essa chama de transformação que permanece acesa, mas claro mais comedido, mais sossegado, mais tranquilo, com mais sabedoria, acertando um pouco mais nas peças chaves para serem colocadas para atender às necessidades do nosso povo e assumindo ainda mais uma coisa, assumindo mais responsabilidade, porque se nós colocamos o nome à disposição você tem que saber do que você vai ter que enfrentar.

Você tocou num ponto aí. Como é que está seu relacionamento com seus ex-colaboradores?
Ricardo Fortunato – É excelente o relacionamento com todos eles, é o processo natural. Quando você sai do poder, quando você está nele as pessoas estão em volta, está lá convivendo com você no dia a dia. Quando você está fora dele aí você tem que fazer um novo processo, mas eu vejo isso com muito naturalidade. Vamos relembrar os tempos medievais. Como que era? Você pode observar que a maioria dos exércitos, o General volta não são os mesmos soldados que vão pra uma guerra que voltam para a outra. A alternância é um ciclo natural, a gente ganha uns, perde outros. E dentro disso, também serve como um aprendizado, porque se nós tivéssemos atendido, com as pessoas que foram colocadas, com cada uma, porque eu respeito todas as pessoas que contribuíram da forma delas, mas se nós tivéssemos acertado na indicação não teríamos perdido as eleições. Eu perdi as eleições. Automaticamente, o trabalho que nós realizamos, por mais que realizamos muita coisa, muita coisa, muitas obras foram feitas e volto a enfatizar. Se você fizer uma análise de 30 anos anteriores não tem a quantidade de obras que nós fizemos em 4 anos. 30 anos não tem a quantidade de obras que nós fizemos e todas enumeradas, todas aplicadas, pagamento no mês vincendo, tratamento diferenciado com todos os funcionários, em todas as áreas, inclusive até hoje existe uma expectativa muito grande. É engraçado, Raquel (servidora que já trabalhou na Câmara Municipal e na Prefeitura de Trindade) fazia o Imposto de Renda dos funcionários da Prefeitura e hoje reduziu 80%, porque as remunerações, elas diminuíram. Então até hoje se faz a comparação dos contracheques, o que o pessoal recebia e o que o pessoal recebe hoje. Então o que eu noto é o seguinte nossa fórmula, o que nós fizemos, apesar das idealizações, não corresponderam, tanto que nós perdemos as eleições. Hoje você desce de um carro, você cumprimenta, você a uma reunião nos locais aonde a gente vai, você é bem recebido. Sou muito popular em todo local que nós vamos. Existe aquela expectativa. Por exemplo, jogador de futebol, a pessoa conversa e fala sobre futebol. Se você mexe na política, conta-se uma história da família, pode falar de futebol e a política, acaba dentro da política, principalmente incentivando muito... “Ó, quando retornar, precisamos que você retorne”. Então, vamos aguardar os acontecimentos. Vamos nos preparar para que realmente... Continue acenando. Se houver o aceno popular é certeza absoluta que nós não iremos fugir de uma disputa não.

É possível ou provável que a gente veja uma aliança, digamos, pela oposição entre os Fortunato (Ricardo e Nélio) e os Morais (George e Flávia)?
Ricardo Fortunato – Tudo pode acontecer.

Vocês conversam?
Ricardo Fortunato – Hoje o quê que acontece? Nós não temos dificuldade nenhuma. Nós temos pessoas também que fazem parte do convívio comum que também conversam então hoje para aliança ainda é muito prematuro. Você observa, as pessoas falavam que aliança em política de um dia para o outro já dá trabalho, imagina se nós avaliarmos pra 7, 8 meses para frente, mas tudo pode acontecer. Mas hoje a nossa preocupação maior é o fortalecimento partidário. Depois do fortalecimento partidário as alianças são coisas naturais que irão acontecer. Nós estamos abertos para qualquer tipo de conversa. Se dentro desse projeto apresentar e demonstrar que o que mais contribuir, que representa melhor, que poderia ser feito por outro nome, de outro partido ou aliança também, nós temos a questão da flexibilidade de fazer um projeto comum.

Em outubro de 2016 teremos um Fortunato na urna eletrônica?
Ricardo Fortunato – Não, se aqui dentro disso, um forma que vai ter, se houver o aceno, certeza absoluta. O PMDB vai fazer o lançamento, não fica sem lançar candidato. Todos são candidatos hoje e amanhã ninguém é candidato. Hoje ninguém é candidato, amanhã todos podem ser candidatos. Só que eu estou falando, se você observar, começou a afunilar. Quem falava que era candidato a prefeito está lançando as candidaturas pelas Câmaras, outros já estão preocupados pela forma da aliança, de ficar muito pesado um partido e de repente perder um pleito eleitoral. Então já começaram as preocupações. Começou a afunilar. Se você observar, saindo desses três nomes [prefeito Jânio Darrot, Ricardo Fortunato e Flávia Morais] não existe mais nem articulação. Não existem nomes que surgiram até o presente momento. E possivelmente, a gente que sabe que as coisas modificam muito rápido, é muito difícil sair da disputa por essas três frentes no município de Trindade.

Entre você e seu irmão, Nélio Fortunato, quem está mais animado com a disputa?
Ricardo Fortunato – Dentro disso todos nós somos tranquilos, nós temos assim os pés bastante no chão para disputar o pleito eleitoral. Não existe vaidade pessoal nossa para a disputa. Da mesma forma que falei que o partido está aberto, se surgirem outros nomes. Necessário que se faça, necessário que discuta. Por quê que eu falo a questão do PMDB? O PMDB, juntamente com os partidos aliados, é automaticamente é o que vai afunilar ou vai clarear para 2018. Então, é o PSDB e partidos aliados e PMDB e partidos aliados. Essa é a tendência natural da disputa. Então fica uma disputa mais consistente, não é diminuindo os partidos. Talvez a estrutura partidária maior, a composição das bases na Câmara Federal e na Câmara Estadual, a questão da representatividade inclusive nacional para trazer para essa disputa. As nossas lideranças locais. Então tem uma questão de representação, uma estrutura partidária maior. O partido, por exemplo, está tudo pronto. Ele tem sistema de gráfica pronto. Ele tem marketing contratado. Está tudo pronto para a disputa eleitoral.

Em Trindade que você fala?
Ricardo Fortunato – Trindade, tudo cem por cento pronto. Pessoal já está trabalhando, a equipe de marketing já está trabalhando. A questão das gráficas já estão prontos, todos contratados para a campanha eleitoral. A questão já dos recursos das artes, inclusive as artes já estão começando a ser elaboradas com os pré-candidatos já. Nós já estamos adiantando tudo, para chegarmos ao pleito eleitoral e já estarmos prontos para a disputa eleitoral. É um partido, que o quê que acontece? Não é para negociar local, não é para buscar secretaria, é para fazer a disputa e ganhar a Prefeitura. E para isso nós temos a consciência de que sozinho não se ganha não, precisamos de aliados. Nós precisamos, como se fosse a formatura de uma imagem, precisamos de uma pecinha em cada lugar para que façamos a multiplicação e ganharmos as eleições.

Em Trindade pode repetir a aliança PMDB-PT?
Ricardo Fortunato – Não, a situação hoje não sabemos. Podemos fazer aliança com todos. E também as alianças a agente tem uma expectativa e amanhã não podem ser feitas, concretizadas, mas conversas nós vamos conversar com todos os partidos. Nós tivemos o pleito, hoje o PT parece que existe uma tendência maior para o PDT, em função da Flávia [deputada federal Flávia Morais] ter nomeado o superintendente do Trabalho [Arquivaldo Bites, do PT de Trindade, e vice-prefeito do próprio Ricardo Fortunato], ele criou uma relação maior, mas o Partido dos Trabalhadores é um partido respeitado, mas está enfrentando uma série de dificuldades, principalmente na questão de filiação.

E a proximidade de vocês com o Democratas?
Ricardo Fortunato – Existe uma grande... Existem aqui muitas conversas que vão ser estabelecidas e automaticamente essas conversas vão se ramificar para os municípios, porque dentro disso aqui a tendência com o Democratas, porque esse é o perfil que estamos avaliando na caminhada são os dados. Chega lá, se o Democratas tiver um candidato, mas vamos colocar os dados, vamos utilizar os critérios da pesquisa Quali e da pesquisa Quanti. O que tiver melhor, disputa o pleito eleitoral. Ninguém quer uma disputa igual a essa não. Não tem jeito de pensarmos uma campanha dessas de forma isolada. As oposições, mesmo que sejam menores ou sejam poucas, que não verdade não são, são muitas, dentro de uma grande tendência nós temos que unir as oposições e dentro dessa união são as conversações que nós começamos aqui agora. É começar a conversar, é dirimir, é esclarecer alguns pontos que ficaram duvidosos, é reconhecer, nós termos a humildade de reconhecer... É muito fácil, às vezes a gente atribui a responsabilidade de um erro a um terceiro, mas é muito mais fácil a gente reconhecer. Causa e consequência, a vida da gente é assim e a política da mesma forma que a todo momento o dia começa, a noite vai na madrugada e o dia recomeça, política recomeça a todo momento. Então, você veja a questão das alianças que nós vimos. Se você ver na época o PSC com o PDT, o PSDB esteve com o PDT, o PC do B, esperando que a Flávia, que ela viesse a compor com o governo na base, ela compôs com o Marconi. Isso é considerado praticamente normal, o que não pode dar uma estabilidade dessas somos nós que aí é um impacto generalizado tanto municipal quanto a nível de estado. Então o que observamos é isso, o cenário é um cenário claro. Se você perguntar para mim, “Ah, mas nos temos alguns comentários de que o prefeito é imbatível”... Infelizmente, não é isso que os dados falam.

Você disputou eleição contra todo mundo, aquela primeira vitória em 2008, a gente tem que respeitar o papel do seu irmão, mas se não fosse o papel do prefeito Ricardo Fortunato com aquele empenho todo, dificilmente ele teria sido eleito. E depois, mesmo no exercício do poder você perdeu as eleições. Então quer dizer, você já ganhou como o fraquinho da história, como forte elegeu o seu irmão [deputado estadual Nélio Fortunato, em 2010] e no exercício do poder, perdeu. Qual que é o jeito mais, digamos assim, fácil de chegar ao poder?
Ricardo Fortunato – A vida é engraçada, né? Política se ela fosse igual à matemática ou uma receita de bolo, você põe 2 ovos, coloca aqui, bate por tantos minutos... Ela não tem esse formato. Ela é cenário, é momento, é expectativa. Dentro disso nós perdemos um pleito eleitoral e eu tinha consciência de que nós perdemos por uma questão de credibilidade. Nós tínhamos um candidato forte [Jânio Darrot] que o povo sempre teve uma vontade de ver ele prefeito da cidade de Trindade, imaginava que tocaria a Prefeitura de Trindade como toca seus negócios privados. E dentro disso, eu me refiro, o marketing pegou. É um cara simples que ficou bem de vida e criou no subconsciente das pessoas uma expectativa. Era a realização de um sonho. Se imagina como uma varinha de condão que ia tocando e transformando a cidade. Infelizmente não é hoje a concepção. Quando você for prefeito ou então governador tem o seu desgaste natural, a máquina é benéfica mas ela também é maléfica. Ela te ajuda em algumas ações, mas ela te traz muitos desgastes, você não dá conta de atender praticamente todos. Então dentro dessa análise que nos fizemos, se você tiver o mandato o certo seria a rejeição. Agora quando é expectativa aí é desilusão. Hoje é o sentimento que a gente nota através dos dados que foram apresentados. Então o que estamos observando e temos aí, existe uma rejeição muito grande por parte da atual gestão e você administrar rejeição não é fácil. Você chega num teto dela, para você dar conta de fazer a administração dessa rejeição, mas se você me perguntar “Ricardo, qual a avaliação que você faz?”, deixa o povo fazer. Até hoje a avaliação não é positiva não da gestão. Nós observamos aí as pavimentações asfálticas que foram feitas, todas estão sendo levadas principalmente pela questão da chuva e de contrapartida aquela linha que eram muitas promessas de CBUQ que ia resolver o problema e hoje as críticas que foram dispensadas a nós, praticamente eles estão copiando quase 100% do modelo da questão da nossa gestão. Hoje a questão da rejeição pode atrapalhar bastante, mesmo eles achando que são imbatíveis. A gente nota muitos aliados que tiveram do lado deles e hoje também já não estão tão movidos pelo sistema da causa.



Entrevista: Vereador Erik Cotrim
Vereador pede, pede, pede e não é atendido

Erik Rodrigo Cotrim de Andrade (PROS) é vereador de primeiro mandato. Nas eleições de 2012, Erik Cotrim, então candidato pelo PSDC, recebeu 1.045 votos e conquistou assim uma das 17 cadeiras na Câmara Municipal de Trindade. Chegando lá, o vereador estreante no exercício de mandato político esteve à frente do Legislativo trindadense, como presidente, no período de junho a dezembro de 2014.
Conversamos com o vereador a respeito de vários temas relativos à política de Trindade. O vereador se queixa do fato de ter apresentado 300 requerimentos de serviços mas, até o momento, apenas 3 deles foram atendidos. Erik é crítico em relação à qualidade dos serviços públicos municipais, especialmente aqueles a cargo de Secretarias como as de Obras, Transportes e Desenvolvimento Regional e, particularmente, quanto à pavimentação asfáltica que a Prefeitura Municipal aplica hoje em dia, seguindo uma espécie de costume em não fazer um trabalho bem-feito, no entendimento do vereador.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

São três anos de vereador, qual sua avaliação deste período?
Erik Cotrim - Eu tenho uma avaliação positiva deste período como um vereador atuante, sempre cobrando melhorias para a cidade de Trindade, não deixando também de reconhecer alguns avanços que Trindade tem tido nesse último ano de administração do prefeito Jânio Darrot (PSDB). Me sinto com a cabeça tranquila estou tentando fazer o meu trabalho, o melhor de mim no sentido da melhora da cidade de Trindade em todos os aspectos, no Asfalto, na Infraestrutura, na Educação, na Saúde. A gente tenta brigar dia e noite só por coisas melhores.

Você está animado para buscar mais um mandato de vereador?
Erik Cotrim - Primeiro temos que pedir a Deus pra gente terminar o nosso mandato. A gente pode vir, sim, candidato à reeleição, mas a gente também sonha em chegar talvez a uma proporção maior que seria a cadeira do Executivo da cidade de Trindade. Sabemos que é muito difícil, o poder financeiro da cidade de Trindade na questão política é muito grande de todos os lados que vão disputar, mas talvez se Deus preparar e ver que talvez seja o momento e a gente tem essa vontade e pensa nesse sonho de disputar a cadeira do Executivo, talvez a gente se encaixe nesse novo que o pessoal sempre está pedindo.

Pelo seu partido atual, o PROS (Partido Republicano da Ordem Social)?
Erik Cotrim - Eu tenho aval do PROS para uma candidatura, até foi enviado ofício para Câmara Municipal de Trindade nos lançando pré-candidato a prefeito pelo PROS. Pode, sim, ser pelo PROS também, um partido que me acolheu, é um partido que me da estrutura, mas muitas coisas podem mudar e até abril que é onde aí finda [o prazo] para quem tem mandato mudar de partido, mas eu pretendo que seja pelo PROS.

Até agora o que você destaca de sua atuação como vereador?
Erik Cotrim - Acho que o nosso destaque como vereador, hoje, é nunca ter aceitado alguns desmandos que a gente vê desse secretariado na cidade de Trindade. Às vezes, aí com coisas erradas, fazendo algumas coisas erradas a olho nu, como o pessoal aí da rede social sempre acompanha algumas denúncias verdadeiras. Tem uma bandeira de lutar pelo funcionalismo público, é uma bandeira que eu nunca deixei, porque eu vim de uma garagem municipal, eu vim do sol quente, essa bandeira do funcionalismo, hoje, é muito importante e nós temos uma promessa de quando eu era presidente da Casa [Câmara Municipal de Trindade] que iria chegar um plano de carreira, fui lá, juntamente com o prefeito, e até hoje esse plano de carreira está aí para ser votado. Porque, realmente, quem faz o serviço da cidade são os funcionários que hoje estão totalmente desvalorizados pela Administração, não só por essa, mas vem uma defasagem de muitos anos e a questão da atuação buscando as coisas corretas. O que eu quero é correção nas coisas. A gente está vendo algumas coisas boas, mas precisa de tomar a rédea que o secretariado do prefeito está achando que eles é que são prefeito.

Como você enxerga o papel do vereador no âmbito da administração do município?
Erik Cotrim - Nós estamos aí com três anos de mandato e eu vejo que queria cobrar aqui, hoje, no seu blog mais atitude da população no sentido de usar o vereador, de tentar buscar com o vereador a representatividade que o seu bairro necessita. As visitas que eu recebo na Câmara, da população, são totalmente diferentes do sentido que teria que ser feito. As pessoas procuram a Câmara para outras situações e não para o real sentido que é buscar melhor iluminação para o setor dele, o asfalto para o setor dele. O vereador também, quero deixar bem claro, ele é travado. O vereador não consegue realizar nada. Para o vereador realizar algumas funções ele precisa do prefeito. Quem faz é a prefeitura e a população acha que o vereador, muita das vezes, é ele que asfalta, é ele que troca lâmpada, é ele que consegue tudo e não é. O vereador, ele só tem uma arma, que se chama requerimento para pedir ao Executivo ou ao secretário da pasta que o secretário realize o pedido dele, que seria tapar um buraco no asfalto, uma creche. Então, o vereador é preso; se ele não tiver uma parceria com o Executivo... Eu, por exemplo, vou deixar um exemplo aqui, eu apresentei mais de 300 requerimentos de melhoria pra cidade e até hoje, 3 requerimentos meu foram atendidos. Então a gente fica preso o vereador então é essa ponte, mas se o Executivo não realizar os pedidos do vereador, o vereador passa a ser chacota, porque o vereador não realiza nada, cobra e tenta fiscalizar e legislar. Eu sou legislador e sinto essa dificuldade minha de em 300 requerimentos em três anos, 3 serem atendidos.

A impressão que se tem é que a Câmara Municipal funciona mais a serviço dos interesses do prefeito do que em favor da população. Na sua opinião essa forma de se perceber o Legislativo Municipal é correta?
Erik Cotrim - É uma situação difícil de estarmos falando, mas eu não tenho restrição de falar. Primeiro passo, talvez, talvez não, eu tenho certeza se a população fosse presente às terças-feiras no horário das nossas sessões, se aquele Plenário fosse lotado, a história da Câmara Municipal seria diferente. Hoje a Câmara Municipal aprova os projetos do prefeito sim, os interesses do Executivo, no sentido de Orçamento, no sentido de convênios, no sentido de concurso público, tudo que o prefeito mandou para ser votado na cidade de Trindade, foi aprovado. Tudo. Até alguns projetos mirabolantes foram aprovados, por questão do IPTU, da iluminação pública e eu, naquele momento, não poderia voltar sendo o presidente da casa, só voltaria em caso de empate e não poderia prender a matéria. O presidente não tem poder de prender uma matéria. Cumpridos os prazos regimentais ela tem que subir para ser apreciada. Então, se a população estivesse presente, cobrasse, muitas coisas seriam diferentes. Eu vou citar o exemplo do aumento da planta de valores. Será que se a população tivesse lá reivindicando, cobrando, votaria da forma que foi votada? Em alguns lugares, até com 300%, 400% de aumento! Agora, fica muito fácil votar uma matéria dessas. Os vereadores hoje que compõem a base do prefeito, porque não tem fiscalização. Cadê o público, igual é a matéria orçamentária do IPTU em Goiânia, que o plenário da Câmara Municipal de Goiânia cai e os vereadores votam do jeito que a população quer? Enquanto a população não ver que precisa ir para Câmara conferir o trabalho do seu vereador que ela elegeu, vai continuar da mesma forma, entra prefeito e sai prefeito e continua da mesma forma.

Até o momento, qual é a grande contribuição que esta legislatura está deixando ou vai deixar na história?
Erik Cotrim - Essa legislatura, eu vejo que ela está devagar, em alguns sentidos, e eu não estou aqui para esconder. Conseguimos aprovar alguns projetos interessantes. A olho nu, às vezes, a população não vai entender. Foram projetos votados na nossa administração como presidente, projetos que estavam engavetados até aquele momento, que foi a questão da doação do terreno da Creme & Mel, ali de frente à Coca Cola, que era um projeto que estava há muito tempo na Câmara Municipal e nós, naquele momento, precisávamos mostrar para a população uma coisa boa. A Creme & Mel é uma empresa de um mil e duzentos funcionários e irá transferir para Trindade mais de um mil veículos, e ajudaria muito no sentido do emprego e nós pedimos que todos os empregos daquela localidade fossem direcionados para cidade de Trindade. Nós votamos e fizemos nossa parte, me parece que agora tem um problema na Justiça de quem permutou com quem vai dar, a nossa parte nós fizemos é algo muito interessante. E o outro projeto, para mim, foi o mais interessante, que é de muito valia para cidade de Trindade, até mesmo porque o prefeito é do lado do Governador, foi a aprovação do polo industrial... 67 alqueires do Polo Industrial para que esse Polo seja transformado em empresas para cidade de Trindade e a parceria lá é forte. Só que esses lotes lá vão ser vendidos, não serão doados e com construção do anel viário, com comprometimento do Governador de fazer um anel viário até o ano que vem este anel viário passar dentro do Polo Industrial eu acho que são duas... foram as únicas duas [matérias] de relevância que foram votadas na Câmara de hoje, mas a Câmara tem muito a melhorar. Temos mais um ano aí para mostrar a que viemos mas, sozinhos, nós somos fracos.

Qual sua avaliação do atual momento político de Trindade?
Erik Cotrim - Eu vejo, hoje, que o momento político de trindade ele está bom. Vejo que a Administração... estão realizando algumas pequenas obras importantes. Quero citar, dentre elas, aquele alargamento entre as duas pistas em volta da Igreja Padre Pelágio. Aquilo foi muito importante para o setor e para a cidade de Trindade. Vejo, também, hoje, a construção do Parque do Cerrado, que na minha concepção, vai ser a obra da administração. Esse Parque do Cerrado é lá onde é o viveiro municipal. Está ficando realmente uma obra excepcional. Nós temos que reconhecer também, até pelo fato de sermos oposição, reconhecer as coisas boas. Então, eu vejo aquilo lá como uma coisa boa. Vejo que esse ano a cidade está ganhando muito com a política, neste sentido das realizações das obras, até mesmo porque no ano que vem na reeleição temos que mostrar serviço se nós quisermos continuar onde estamos. E o momento político hoje está complicado, nós estamos perto do momento de pré-candidaturas, estamos vendo ex-prefeitos voltando das pré-candidaturas, vendo a atual administração. E eu vejo o momento político de trindade hoje um bom momento e nós temos que aproveitar dessa parceria do Governo de Trindade com o Governo de Goiás, nós temos muito a ganhar com isso, e ganhamos muito, mas temos muito mais a ganhar e talvez que Trindade melhore muito nesse último ano.

Por quê temos a sensação de que não há oposição organizada em Trindade?
Erik Cotrim - Eu concordo com você nesse sentido. Eu me declaro vereador de oposição. Sempre me mantive na oposição, mostrando os erros que a administração têm. Oposição, aquela oposição de incoerência eu acho que hoje ela não vale a pena, que seria o quê? Talvez eu pegar um trio elétrico, igual nós fizemos no começo do mandato na manifestação, quando fecharam o Posto de Saúde do Cristina 2. Eu vejo que a oposição tem que ser coerente, ela tem que mostrar os erros e também mostrar as qualidades. Eu pago muito por isso, porque as pessoas hoje talvez não vejam que o Erik é um vereador independente. Nós carregamos uma imagem que eles acham que talvez as minhas ações não são por mim, eu quero deixar bem claro a todos, eu sou um vereador independente, tenho amizade com todos os grupos políticos, mas as minhas ações que eu acho que são coerentes não é necessário eu ir para a rua, não é necessário eu fazer coisa que talvez a gente não tem como voltar atrás. Coisas que prejudicam a população, prejudicam a cidade e isso eu não vou fazer. Agora, mostrar os erros, mostrar a minha independência e cobrar, no sentido da melhora, eu vou fazer, uma oposição coerente mostrando os erros e reconhecendo os poucos acertos que tem, porque também tem acerto, e o vereador ele não pode ser só cego e mostrar coisas erradas, tem que mostrar as coisa boas, neste sentido. A oposição louca de manifestar, de gritar, ela não tem; tem, da minha parte, a oposição coerente no sentido de cobrar e de mostrar.

A atual gestão do prefeito Jânio Darrot, em seu ponto de vista, é boa?
Erik Cotrim - Hoje eu considero, depois de três anos de administração, regular. Eu vejo e sinto que o prefeito ele tenta buscar, está fazendo obras, talvez obras que poderiam ter sido feitas no passado, há uns dois anos, que estão sendo realizadas nesse momento. O secretariado do prefeito é muito fraco. Eu vou dar um exemplo aqui que eu bati e vou dar de novo, nós temos um secretário de Obras, um de Transportes, um de Desenvolvimento Regional, que e o responsável da questão da Região Leste [Trindade 2]. Porque o prefeito de Trindade teve que trazer de Aruanã, um senhor chamado Jurandir para fazer a malha asfáltica de Trindade? Exemplo nato, que todo mundo está vendo. Quem faz o asfalto em Trindade é o senhor Jurandir. Então, o quê que o secretário de Obras está fazendo? O quê o secretario de Transportes está fazendo? O que o secretário de Desenvolvimento Regional está fazendo? Se eles, que são as pessoas responsáveis por executar as obras, o prefeito tem que trazer uma quarta pessoa para fazer? Então, assim, eu reconheço hoje que está fazendo atrasado, mas está. Falo também que não é o Jânio, nós estamos sofrendo isso com quatro administrações, duas com reeleição a que passou e a de hoje: o asfalto de Trindade é de péssima qualidade. Há 16 anos Trindade não tem um asfalto CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado Quente), não tem uma rede pluvial. Vai lá prepara o chão, joga o piche, joga uma brita, pó de brita e o asfalto está pronto e fazem o meio-fio simplesmente para segurar o asfalto do primeiro ano. Há 16 anos, nós não temos um asfalto de qualidade em Trindade.

Pelo que a gente depreende da sua opinião, o ponto fraco, o pior serviço da Prefeitura Municipal, na gestão do Jânio Darrot, é o asfalto?
Erik Cotrim - Hoje sim, porque o prefeito Jânio, ele conseguiu arrumar a questão da Educação. Nós temos escolas bem-arrumadas, bem estruturadas, na questão da Escola Municipal Modelo que foi inaugurada; na questão da Escola Municipal Cirandinha. Não sei se vocês tiveram a oportunidade de presenciar. Foi uma valorização na Educação que não tinha. A questão da Saúde, reconheço que melhorou um pouco, mas melhorou, e quero deixar bem claro, pela questão do Hutrin (Hospital de Trindade), porque o Hutrin, hoje, tem um serviço de excelência, de qualidade e que desafogou muito a questão dos PSF, mas tenho que dizer aqui o seguinte, o Hutrin não é obrigado a atender tudo, o Hutrin é obrigado atender urgência, emergência e trauma, e tem um acordo entre Governo da cidade e Governo do Estado, que o Hutrin vai atender tudo, porque hoje, depois das 16h30, os PSF fecham às 16h30, se o Hutrin falar que só irá atender a minha obrigação de contrato, que está no contrato, onde o povo de Trindade vai ser atendido? Nós não temos atendimento 24 horas. Então assim, melhorou nessa questão, mas a falha vai vir logo ali na frente, porque o governador já começou a cortar gastos. E a hora que o Hutrin falar assim, “ó, prefeito, o senhor abre os seus 24 horas que eu vou atender só os meus”, se isso acontecer num sábado ao meio-dia, onde o povo de Trindade vai ser atendido?

O que é preciso se fazer para melhorar a qualidade dos serviços públicos municipais, de um modo geral?
Erik Cotrim - A gente tem que ter coerência de falar nisso porque Trindade, infelizmente e é a culpa disso tudo é a questão da nossa, a nossa renda é muito ruim. Nós somos uma cidade desse tamanho para arrecadar aí 11, 12 milhões de reais por mês, enquanto Senador Canedo, que é metade do que nós, arrecada 30 milhões de reais. É muito difícil administrar com pouco recurso. É muito difícil.

Mas administração com muito é fácil, qualquer um vai dar conta, não é não?
Erik Cotrim – Isso é uma verdade. Com muito, muitos vão dar conta.

É o que a gente imaginava, que o Jânio, por ser um empresário bem-sucedido, acostumado com lidar com a vida empresarial dele ia saber lidar com poucos recursos de Trindade, ou não?
Erik Cotrim - Foi uma surpresa para todos essa questão dessa esperança, dessa evolução, que o Jânio, na questão profissional, ele é um empresário mega-sucedido, não é nem bem-sucedido, é um empresário mega-sucedido. E as dificuldades, muita das vezes, dessas licitações, fez com que o prefeito debruçasse um pouco nessa questão. Eu acho que precisa melhorar os atendimentos mesmos, talvez com mais coerência, e o grande problema que a gente vê, em todas as pastas, é o jeitinho. Vou falar bem claro talvez a questão de pedir uma coisinha ali outra coisinha aqui, e isso no final poderia estar ajudando muita coisa. Eu sei que uma coisa que é falha e talvez as pessoas deveriam estar muito bem, e eu vou citar um exemplo aqui muito claro do prefeito Maguito Vilela, ele tem uma equipe de trabalho que busca recurso do governo federal, que transformou Aparecida de Goiânia. Será que nós não deveríamos ter uma equipe que ao invés de ficar gastando com secretários incompetentes, com pessoas incompetentes, se nós pagássemos uma equipe para buscar esse recursos, porque no governo federal chove de recursos. E eu quero deixar bem claro, todas as obras que estão sendo inauguradas, Escolas, CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil), foram obras empenhadas no passado. A única obra do futuro, que vai sair dessa Administração, talvez seja o Parque do Cerrado. Tudo que está sendo inaugurado agora, são obras que foram empenhadas... que demoram. Talvez você comece uma obra e ela só vai acabar, talvez daqui a três, quatro anos e o mandato já acabou.

Qual a avaliação que você faz do secretariado do prefeito?
Erik Cotrim - A avaliação do secretariado do prefeito que eu faço, não quero aqui generalizar, existem pessoas competentes e eu vou citar nome delas aqui para que não tenha nenhum problema. Um secretário ruim, não tem como promessa de campanha, nenhum técnico capaz, a não ser a secretária de saúde, que me parece que é técnica. O prefeito tem um dilema na política que é assim, nunca contrate quem você não pode demitir, que é a questão das amizades. A escolha do secretariado hoje, por amizade, prejudica demais o prefeito. É secretariado incompetente, secretariado que hoje trata o cidadão mal, com salto alto, fala da pessoa de vereador, no meu caso, em bares, falam que eu sou um moleque, que eu sou um inconsequente, que eu não sei de nada. Falam até do prefeito, em bares da cidade. Não vão falar do vereador? Falam do prefeito que é o patrão deles. Temos um exemplo aqui, acho que é um bom secretario, que é o de Finanças. O Zé Esteves, um mega-profissional, está conduzindo o Controle Interno da Prefeitura brilhantemente. Quero reconhecer que talvez, hoje, o trabalho do senhor Esmeraldo, que é muito criticado, mas é criticado, porque ele está lá para obedecer as ordens. Então, muita das vezes, ele tem esse desgaste por obedecer ordens e as pessoas não entendem isso. Agora, o restante, Obras, Transporte, Turismo, que Turismo aqui e só o Padre que faz. Me mostra uma ação da Prefeitura de Trindade na questão do turismo. Se tem turismo aqui é porque nós temos o Padre Robson que traz o povo. O quê que a Prefeitura de Trindade oferece de turismo ou de incentivo que essas pessoas venham para Trindade? A avaliação minha e que 70% do secretariado do prefeito Jânio é incompetente. Não devia estar lá, se tivessem pessoas técnicas, com compromisso de segurar os seus empregos, Trindade estaria muito melhor.

O grande indutor da economia de Trindade, hoje, são as ações da Afipe mais do que a Prefeitura e isso também se reflete no fato da arrecadação municipal ser baixa, porque a gente não percebe a Prefeitura de Trindade como indutora da economia. Ou eu estou exagerando ou vendo a coisa errada?
Erik Cotrim - Eu acho que você não está exagerando não. Se tivesse um apoio maior na questão dessa estrutura turística da cidade de Trindade, pela Prefeitura, não era só a Prefeitura que ganharia com isso. Todos os comerciantes ganhariam com isso, a cidade ganharia com isso. Hoje você vai naquela estrutura, de ver aquelas feirinhas ali no fundo da igreja, com a outra feirinha que tentou ser feita abaixo do Igreja e sendo que nós temos muitas áreas ali em volta que talvez sejam áreas públicas, que o prefeito poderia ter transformado em lojinhas para atender o cidadão trindadense, dado esse incentivo ao grande, porque não incentiva o pequeno, porque uma pessoa que tem um lugar pra oferecer. Outra coisa que é fato, nós temos um terreno que seria a Praça do Carreiro, que poderia ser desafetada e ser construído um pequeno shopping naquele lugar que é uma área pública. E nesse shopping ser doadas as salas, ou que pagassem também. O município preciso de arrecadar. As pessoas estariam comprando, os lojistas estariam ganhando, a Prefeitura estaria ganhando, porque o comércio da cidade iria girar, iria ser melhor. E outra ação, me mostra um banheiro público perto da Igreja Matriz, me mostra um banheiro publico perto da Basílica e na Praça do Carreiro, me mostra uma placa de indicação mostrando ali perto onde é a Basílica. As pessoas só acham que tem a festa de Trindade e o turismo aqui é o ano inteiro. Cadê uma barraquinha da Saúde ali na Praça da Matriz, na Praça do Santuário Novo para medir a pressão de uma pessoa, para conversar para bater papo, ou estou falando de mais? Mas quando é a festa de Trindade, aí não, aí é banheiro, aí é latão de lixo. Outra coisa, você vai subir aqui o secretariado não vê, que de quinta a domingo Trindade é outra cidade, é uma cidade turística. Eles deixam o lixo envolta da Basílica, como é que faz?

O quê você pensa dessa expansão urbana que está acontecendo em Trindade?
Erik Cotrim - Nesse momento aqui eu quero até isentar a atual Câmara Municipal de Trindade que não é responsável por nenhum loteamento desses que estão abrindo. Nós não fizemos nenhuma votação de expansão Urbana nessa administração do governo Jânio Darrot. Todos esses loteamentos que estão abrindo foram votados em administrações passadas. Eu vou citar um exemplo. Tem loteamento que não abriu aqui que foi aprovado em 1982, no mandato do Valdivino Chaves. Está desordenada. Essa questão também aí da Caixa Econômica dessa Minha Casa Minha Vida, desordenou a construção de casas hoje na cidade de Trindade, não só aqui mas em muitos lugares está desordenado, nós vemos ali hoje a questão que está abrindo ali naquele antigo Motel Faraó, no loteamento no Josias, então a dificuldade que nós temos hoje, eu vou citar como o Monte Cristo, não tem água encanada. Como que eu vou abrir loteamento sem água, sem infra-estrutura e você vai lá e já vendeu os lotes? Você sabe na saída para Santa Bárbara o novo loteamento que abriu do lado esquerdo, não tem água encanada e você vai na Saneago, a Saneago não tem condição de colocar água encanada. Se o loteamento não fizer a sua própria estrutura com poço artesiano, não vai ter água. Eu isento a Câmara Municipal nesse sentido, porque já tinha sido aprovado e outra questão estrondosa no Santa Luzia, foram construídas mais de mil casas e tem mais 5.000 casas para construir e eles vão arrancar a água ali aonde? Então, tinha que ter coordenação, mas hoje o Ministério Público notificou a Leonardo Rizzo por causa do loteamento do Rosa Morena, ali no Pontakayana, ele vendeu coisas bonitas e foi lá e não tem nada disso. Precisava de organização. Nesse sentido nós estamos segurando e a Câmara Municipal não tem como brecar isso, já fizemos as ações no Ministério Público, audiências públicas, para conter estas questões dos loteamentos e dessa questão de água, que não tem água, não tem energia, não tem estrutura, mas, infelizmente, está acontecendo.

Essa questão da segurança pública, você acha possível que o município atue nessa área?
Erik Cotrim - A Segurança Pública, de um modo geral, no Estado, no Brasil, ela é horrorosa, mas em Trindade, ela está vergonhosa. Eu fui vítima de dois assaltos, um inclusive dentro da Câmara Municipal de Trindade, uma e meia da tarde. Tive que mandar abrir o portão para o ladrão sair e se eu errasse, eu morreria. Aqui em Trindade, eu quero isentar o Coronel Segato. Não sei se vocês puderão ver, eu coloquei outdoor espalhados na cidade cobrando do Governo a questão da Segurança Pública. Nós temos quatro viaturas para atender Trindade. Como é que com quatro viaturas vão conseguir atender mais de 60 setores, com mais de 60 mil habitantes na cidade de Trindade? Eles roubam cedo, eles roubam à noite, eles roubam à tarde, na hora do almoço. Virou um descontrole. Trindade, hoje, com essa inauguração dessas duas rodovias, tanto a de Goianira, quanto a de Abadia de Goiás, ficou fácil o fluxo para fugir daqui. O cara rouba e pode escolher por onde ele vai embora, se por Campestre de Goiás, se por Abadia de Goiás, se por Goianira. Falta atenção para segurança pública demais em Trindade eu achei que seria um ponto principal devido a amizade do prefeito com o governador. Nós estamos carentes. A contribuição que poderíamos ter do município, não deixar somente a cargo do Estado e da União, ver se conseguíssemos fazer igual foi feito em Aparecida de Goiânia aquela Guarda Municipal armada, mas eu volto a pergunta será que Trindade tem estrutura para isso? Será que o nosso pessoal é qualificado para isso? Eu clamo, já pedi ao Jânio, já pedi ao coronel, já enviei ofício, já fui pessoalmente falar com o Comandante-geral sobre a questão de Trindade. Nós precisamos de segurança. Hoje se nós quisermos segurança, nós temos que chegar em casa antes de escurecer, trancar as portas e ficar dentro de casa. Aí você está um pouco seguro e torcer para quando você for abordado, você ter consciência de que você mesmo tem que fazer a sua segurança. Entrega o que você tem e fala para o meliante “Olha, amigo, vai embora, não quero nada com você”, entrega o que você tem e não reage porque senão você vai morrer. Então a segurança de Trindade, na minha opinião, é nota zero, poderia ser melhor porque hoje nós somos administrados pelo mesmo partido que administra o Estado. Eu acho que o governador tinha que olhar para Trindade. Porque quando Marconi vem em aqui em Trindade, visitar a cidade, tem polícia de helicóptero de cavalo de carro, ROTAM, GATE, e depois que ele vai embora foi tudo embora Trindade Ficou a mesma coisa com as quatro viaturas é complicado eu queria ter uma varinha de condão pra fazer assim “ó, eu Erik Cotrim, resolvi a segurança pública de Trindade”. Não dou conta, igual eu falei, vereador pede, pede, pede e não é atendido.

A ocupação das calçadas por comerciantes em Trindade é uma realidade difícil de ser resolvida, isso lhe incomoda?

Erik Cotrim - Eu acho que está abusivo. Acho que teria que ter um entendimento ali. Usa um pouco e deixa um pouco. Sei lá, acho nós não podemos ser drásticos também com a nossa população de Trindade, com as pessoas que estão trabalhando. Acho que teria que ter um entendimento se a calçada 5 metros, isso é a minha opinião como vereador, eu vou te dar dois e meio e você me dar dois e meio vamos dividir a calçada para não atrapalhar a população, os comerciantes, mas está abusivo. A Prefeitura de Trindade tem condição de fiscalização para isso, a lei aprovada é proibido não pode, não pode, então resta também do Executivo fiscalizar, colocar os fiscais para trabalhar. Volto lá no caso nosso a falar sobre arrecadação. Se vem aqui e fala, “Erick Cotrim, o senhor podia nos ajudar recuando sua calçada dois metros e meio e me dá um metro e meio para que o pedestre possa passar também, vamos entrar num acordo, nós não queremos também prejudicar a população no momento, nós queremos estar junto”. Não, na segunda vez não deu, na terceira vez, infelizmente, o senhor foi notificado porquê não está cumprindo a lei da cidade de Trindade, mas a Prefeitura esconde os fiscais e não põe os mesmos para trabalhar. Vê se no centro da cidade, tem cabimento pelo tanto de entulho que tem? Por quê que não terceiriza este trabalho já que não tem coragem de multar o cidadão infrator? Quer arrecadar, tem os meios de arrecadar e não faz? Você tira os lixos da Vila Pai Eterno e do Centro cedo, de tarde o cidadão que você tirou cedo ele coloca o mesmo lixo que ele tinha na parte da manhã coloca de novo. Cadê a fiscalização? Cadê a postura? Cadê? Não é chegar e multar. Primeira vez, “Senhor, não faz isso, não. Se acontecer de novo e o senhor reincidir nós vamos multar o senhor”. Trabalha consciência e depois aplica lei porque tudo que está acontecendo aí tem lei para multar, tem lei, para cobrar. Só que nós, vereadores, não temos bloco para multar. Cobramos, mas não fomos atendidos. 


Comentários

Unknown disse…
ótima entrevista. Parabéns ao Repórter e ao entrevistado que mostrou está mais que preparado pra retornar a ser prefeito de Trindade. Tem o meu voto e meu apoio incondicional.