Entrevistas
Entrevista:
Ricardo Fortunato de Oliveira
"Tranquilo e sossegado" mas de olho nas eleições de outubro do ano que vem
Lá
se vão quase três anos que Ricardo Fortunato de Oliveira (PMDB)
deixou o cargo de prefeito de Trindade depois de ser batido nas urnas
pelo atual prefeito Jânio Darrot (PSDB), nas eleições de 2012. É,
o tempo realmente voa. E conversamos com o líder peemedebista em uma
longa entrevista que publicamos na íntegra aqui neste espaço.
A
conversa com o ex-prefeito de Trindade durante mais de uma hora, em
Goiânia, foi interessante. Acho que é importante sabermos o que
anda pensando Ricardo Fortunato que deverá disputar novamente o
cargo de prefeito com o atual, Jânio Darrot, nas eleições de
outubro de 2016. Se isso ocorrer, será a revanche entre os dois
políticos. Afinal, Fortunato venceu a peleja em 2008 e perdeu a
disputa em 2012. É claro que o grupo do ex-prefeito quer porque quer
retornar ao comando da gestão municipal da “Capital da fé”.
Veja
a seguir os principais pontos da entrevista. Boa leitura para vocês.
![]() |
| Ex-prefeito Ricardo Fortunato em fase tranquila. |
Há
três anos fora do poder, como está sendo a vida pós-prefeitura?
Ricardo
Fortunato - Estou muito tranquilo. Sempre fui uma pessoa
que Deus me deu várias oportunidades. Tive a chance de ser formado
em Administração de Empresas, formado também em Direito,
especialista em Direito Civil e Processual. Fiz MBA na Fundação
Getúlio Vargas em Gestão Empresarial e, sempre de forma paralela,
nós mantivemos as nossas atividades empresariais. Caminhamos muito
bem, sempre um excelente relacionamento no nosso grupo. E inclusive
nós estamos iniciando novas atividades no setor empresarial na área
de energia elétrica. Estamos fazendo uma parceria e dentro disso, se
Deus quiser, a partir de 2016 estaremos aí, somos um dos parceiros,
abrindo aí uma indústria no segmento de energia elétrica no Estado
de Goiás. Conseguimos isso depois que viemos de São Paulo e com
alguns amigos estabelecemos essa parceria. Estou, assim, sossegado.
Tive muito tempo de fazer muitas reflexões. Tive momentos nesses
três anos, quando terminou o mandato de prefeito, que nós perdemos
as eleições e a partir do dia primeiro de janeiro nós fomos cuidar
da nossa vida na iniciativa privada, mas sempre olhando e desejando
muito o bem, principalmente para o então futuro gestor, em relação
a nossa cidade. Quando nós fizemos uma reflexão, tivemos tempo de
refletir, nós avaliamos que tínhamos que torcer pelo bem, que as
coisas acontecessem da melhor forma, que as parcerias com o governo
de Goiás fossem eficazes para atender os anseios da nossa comunidade
trindadense e, de contrapartida, que ajudasse a melhorar mais ainda a
qualidade de vida dos nossos moradores.
O
pessoal fala muito que a derrota ela ensina muita coisa, traz até
mais ensinamentos do que a vitória que acaba falseando, maquiando, o
resultado quando se é muito vitorioso. Você pensa, mais ou menos,
por aí?
Ricardo
Fortunato – Eu tive a chance, né? A nossa vida pública
começou muito cedo. Talvez eu seja o primeiro vereador [de Trindade]
que encerrou o seu mandato em 2008, no dia 31.12.2008, e no dia
primeiro de janeiro de 2009 já era o prefeito de Trindade. Eu fui
agraciado com uma benção dessas, graças a Deus consegui. E quando
você ganha, a vitória é cheia de heróis. Você nunca vence
sozinho. Tem muitas pessoas que falam “não, eu ajudei, eu elegi,
eu ganhei a eleição”, mas quando você perde o pleito eleitoral
aí é diferente. A derrota ela é solitária. Mas, entre aspas, não
existe derrota, existem “antecipações de vitórias”. É a forma
que nós enxergamos a nossa vida. Nós enxergamos que essas
dificuldades servem como uma linha de aprendizado. Tivemos tempo para
fazer uma reflexão, avaliarmos os pontos que nós falhamos, os erros
que nós cometemos, mas Deus sempre nos abençoou muito. Não teve a
questão da insatisfação pela saída, muito pelo contrário, como
eu falei anteriormente, eu saí da Prefeitura e já retomamos nossas
atividades empresariais no dia primeiro mesmo de janeiro de 2013
quando nós perdemos o pleito eleitoral e Deus já nos agraciou com
grandes negócios, grandes oportunidades, e nós estamos muito
felizes com as oportunidades que Deus ofertou a nós.
Tem
algum grande erro, aquele erro capital?
Ricardo
Fortunato – Na verdade existem vários acertos que são
feitos, existem as falhas que são cometidas, porque se não nós
tínhamos comemorado a questão das vitórias. Uma coisa que a gente
nota é que o tempo, o livro, sempre o Vinícius de Morais falava que
“o livro traz conhecimento e só o tempo traz sabedoria”. E nós
entendemos isso hoje. Eu entrei muito novo, realizamos muitas ações,
fizemos muito pela cidade. Algumas coisas ficaram como em toda
gestão... todo gestor, não existem só coisas boas e também não
existem só coisas ruins que são feitas no transcorrer do mandato
eletivo que se faz. Cada pessoa contribui de alguma forma, mesmo que
o sucessor, sendo oposição, não queira reconhecer isso, se não a
cidade não seria construída. Se a gente fazer uma análise, a
cidade não seria construída. Uma delas, que a gente fica
observando, é que enfrentei muitas perseguições, enfrentei muitas
dificuldades, nunca consegui estabelecer uma boa relação, não por
minha parte, mas em relação aos governos. Nós não conseguimos
essa boa relação...
Governo
estadual?
Ricardo
Fortunato – Governo do Estado. Governo federal nós
tivemos. Fizemos aí o maior plano habitacional proporcional do
Brasil. Você observa o Jardim Scala, por exemplo, são 1,2 mil casas
num local só, até o Manacá que nós fizemos também são 231
apartamentos localizados ali na saída da Vila Pai Eterno, fora
liberações e outros conjuntos que foram criados, igual ali no
Imperial, em frente à fábrica de refrigerantes Imperial, só lá
foram seiscentos e tantos, e quantas outras liberações que nós
fizemos para o desenvolvimento de nossa cidade em construções que
foram feitas. Sempre tive um relacionamento estreito também levava
em consideração que a nossa cidade por fazer parte, e uma cidade
com mais de 100 mil habitantes possibilitava a chegada de muitos
benefícios do governo federal, tais como, nós podemos citar todos
os CMEIs que até hoje estão sendo construídos, nós deixamos os
recursos alocados, trouxe também o IFG, o Instituto Federal Goiano,
onde fica estabelecido que 50% dos cursos são profissionalizantes,
igual às antigas Escolas Técnicas, 25% de Licenciaturas e 25% de
acordo com a demanda do município, que era nosso interesse inclusive
implantar engenharia civil e o curso de direito e isso seria
gratuito, ali em frente a quadra de esportes e lazer que nós também
trouxemos no Setor Monte Cristo. Todas as questões desses CMEIS, nós
fizemos as parcerias junto ao Governo Federal, a revitalização da
região central, tivemos ajuda também na construção da parte que
foi direcionada na Praça da Prefeitura, fizemos a Praça da Cadeia,
fizemos a Praça do Setor Sul, fizemos a Praça do Colégio Estadual
Castelo Branco e fizemos alguns asfaltos também. Estabelecemos essa
grande parceria, além de fazermos o dever de casa. Sempre fizemos a
questão das reservas. Trabalhávamos com um ajuste muito pesado,
porque nós não contávamos com ajuda do governo estadual,
contávamos apenas com a ajuda do governo federal, então nós
tínhamos que fazer nossas economias caseiras que possibilitou fazer
a pavimentação asfáltica do Setor Sol Dourado, Novo Paraíso,
Decolores, Setor Bela Vista, Palmares, lá do Corredor do Palmares,
Maysa II, Ipaneminha, o Calçadão ligando o Dona Iris II ao Dona
Iris I, fiz o Calçadão ligando o Dona Iris I ao Setor Cristina,
fizemos o Colégio e a pavimentação asfáltica do Ipanema,
pavimentamos o Jardim Floresta, pavimentamos o Jardim Marista,
Pavimentamos o Cristina, esses integralmente. O Marista só ficaram 2
ruas que nós não conseguimos em virtude do tempo chuvoso. Ficamos
dois setores na região Leste que nós não conseguimos fazer a
pavimentação, que foi o Setor Bandeirantes que as máquinas estavam
trabalhando, era mês de outubro, antes de outubro, setembro, estavam
trabalhando, fizeram uma representação, uma denúncia, e o promotor
suspendeu a conclusão da pavimentação asfáltica, e o Pontakayana
que é o setor maior que tem na região, com mais de 177 mil metros
quadrados, apesar que as áreas que eram povoadas eram de 74 mil
metros quadrados e nós não conseguimos concluir porque tinha muita
coisa para ser levada e muitas coisas a serem feitas. Então nós
fizemos, ficou o Setor Garavelo de fora, que nós fizemos várias
medidas, onde era realmente habitado, nós tínhamos 5,7 mil metros
quadrados de pavimentação asfáltica. No Setor Mariápolis eram 2
mil e poucos metros quadrados e nós não conseguimos porque eram
várias ações. Então, todas essas ações de asfalto que citamos
aqui, teve época que nós estávamos com 4, 5 frentes de asfalto
trabalhando diuturnamente com recursos única e exclusivamente da
Prefeitura Municipal de Trindade.
De
tudo o que você falou aí, pode-se dizer que o grande erro foi de
relacionamento?
Ricardo
Fortunato – Não, nós tivemos disso. O relacionamento
nós tentamos e isso aí não atrapalhou não. O quê que acontece?
Nós tivemos o porcentual das eleições para a vitória, a diferença
não foi muito grande e dentro disso as oposições ficaram com muita
força, permaneceram com mandato. Tive a oportunidade de, em 2010, o
meu irmão Nélio Fortunato ser deputado estadual, o Jânio Darrot
também foi deputado estadual e a Flávia Morais, deputada federal, e
ambos faziam uma oposição pesada, inclusive influenciando na Câmara
Municipal, atrapalhando muito o trabalho nosso a ser realizado. Por
mais que eu tinha aquela experiência, que eu também fui presidente
da Câmara Municipal de Trindade, conhecia como funcionava a Casa de
Leis, mas encontrei uma série de dificuldades, mas em matéria das
dificuldades, a gente fala disso, mas eu refiz, não fiz apenas uma
reforma, reconstruí todos os postos de saúde da cidade. Reconstruí
todas as escolas. Reformei todas as praças. Contratamos, comprei
mais de dez ambulâncias, mais de 15 Vans todas zero quilômetro para
servir e fazer o atendimento, tanto na zona urbana como na zona
rural, então foi um mix de obras e inclusive eles falam uma coisa
interessante, que a quantidade de obras que foram feitas dentro do
município de Trindade na nossa gestão de 4 anos, em 30 anos nunca
se conseguiu fazer tanta obra como nós realizamos dentro desse
período. Nós tivemos lá dentro disso, inclusive, foi motivado,
quando eu fui fazer os paralelepípedos, na questão do CBUQ
(Concreto Betuminoso Usinado a Quente) que foi colocado, houve uma
polêmica muito grande em relação ao padre Marco Aurélio.
Aquele
foi um erro?
Ricardo
Fortunato – Foi, foi. Eu acho que aquele lá foi, foi,
faltou um diálogo naquele momento, mas depois eu fui ainda conversar
com ele [padre Marco Aurélio], nós conversamos depois, ele me
contou os motivos que tinham sido, porque eu o consultei previamente.
Naquele momento quando nós fomos fazer estava para ser tombada pelo
patrimônio histórico a Igreja Matriz. Aquelas vias dos
paralelepípedos, elas haviam sido efetuado interferências,
inclusive pela gestão anterior que tinha efetuado. Só que eles
tinham aplicado a lama asfáltica e nós íamos aplicar a questão do
CBUQ. E nós íamos fazer uma doação, fomos eu e o meu irmão, o
então deputado estadual Nélio Fortunato, para fazermos uma doação
para a reforma, de acordo com o tombamento barroco, que era a questão
do lado barroco da igreja que tinha sido colocado. Fizemos essa
contribuição e apresentei ao padre Marco Aurélio o projeto. O quê
que ele achava, por que o projeto era maravilhoso, porque era para
ser estabelecido, que era para ser colocado, mas recebeu uma visita e
num sábado fui pego de surpresa, pois todos os meios de comunicação
estavam utilizando um termo que eu estava acabando com o patrimônio
histórico da cidade e eu tinha a anuência dele anterior, tinha
conversado com ele a três horas atrás, quando foi para falar
daquela polêmica, e o quê que aconteceu foi para a porta da
Prefeitura, criaram com vários populares, principalmente que já
estavam com a expectativa, morador da Av. Eugênio Jardim, que era o
sonho deles que acabasse com a questão dos paralelepípedos e
fundamentado. Expliquei ao padre Marco Aurélio e ele entendeu
claramente, falou que era a melhor obra que íamos fazer dentro da
cidade de Trindade, que era a questão das estruturas das casas que
já estavam comprometidas, a questão da acessibilidade do cadeirante
que não tinham como trafegar, as calçadas elas são altamente
estreitas e praticamente os postes [da iluminação pública] tomam
conta da largura dela toda, as pessoas de idade que tropeçavam,
caíam e machucavam e até utilizei a brincadeira, até as moças
bonitas não têm condições de usar salto alto porque as pedras
quebram a questão dos saltos das meninas e dentro disso nós fizemos
e essa população nós fomos para a porta da Prefeitura e nós
descemos não com a intenção de afrontar nem gerar um fato desses
não, mas como era uma multidão, daí infelizmente algum
descontrole, alguns não deixam de cometer algumas provocações. O
objetivo era conversar com o padre. “Olha aqui, padre, está tudo
aqui, que aqui se faz”... porque teve uma interferência por parte
do Ministério Público que acionou o juiz, foi paralisada (sic) as
obras, inclusive utilizando força policial. Então, o perfil do
tombamento histórico. Só que depois nós apresentamos e foi até
divulgado em todos os meios de comunicação que tinha feito o
tombamento. Abriram ação por improbidade administrativa contra mim,
nós comprovamos, inclusive através do Iphan, demonstramos com as
fotos, com as filmagens que nós fizemos e fui absolvido. Da mesma
forma o boi no rolete, quando nós fazíamos as inaugurações das
praças, o Ministério Público interferiu e dentro dessas ações de
interferência abriram uma ação de improbidade contra mim, só que
fui inocentado e os meios de comunicação nunca mais comentaram,
inclusive na questão do tombamento histórico da cidade também fui
absolvido, demonstrando que lá nunca houve tombamento. A única
coisa que foi tombada foi a Igreja Matriz, que foi tombada há três
e aquelas ruas não faziam parte do tombamento e melhorou e melhorou
muito a vida... tanto é que foi que eles pegaram... É claro, não
fizeram de CBUQ, fizeram de lama [asfáltica]. Aplicaram a lama umas
4 ou 5 vezes pra ver se equilibravam ali na Eugênio Jardim, a parte
que tinha sido embargada pelo sistema de obras. Então houve o quê?
Juventude é a fase mais maravilhosa, mas às vezes tem algumas
atitudes que você poderia ser mais comedido, poderia ter ligado. Ó,
padre, nós somos da mesma idade, nós somos da mesma geração, se o
senhor achar que não é interessante não vamos fazer essas obras,
não quero problema, não. Fui criado num berço católico, respeito
cada um e dentro disso, como era o padre Robson, padre Marco Aurélio
e eu, me lembro de no dia da missa da minha posse, o padre Fábio
Bento ainda, numa missa, dizendo, “olha, vocês têm que ter muita
cautela, vocês três. Porque vocês são todos da mesma idade, padre
Robson, padre Marco Aurélio e agora o prefeito da cidade. Vocês vão
ter que ter muita sabedoria para cuidar dessa situação”. E eu
acho que o momento faltou sabedoria da nossa parte.
Aquela
gravação, aquele vídeo no Youtube...
Ricardo
Fortunato – Mas dentro disso não foi a questão do
vídeo. O vídeo vem com uma pitada de maldade. Aquilo não foi feito
daquela forma. Eles pegaram trechos e formularam. Então dentro disso
nós nunca fizemos uma agressão, muito pelo contrário, praticamos,
seguimos, somos parte do mesmo... respeitamos os católicos,
respeitamos os evangélicos, respeitamos os espíritas, respeitamos
todos os segmentos religiosos. Agora, aquilo ali foi aquela
historinha: faltou diálogo, faltou sabedoria, faltou conversa. E
dentro disso eu tenho certeza absoluta que o padre tem uma concepção
diferente do acontecimento hoje. Conversamos com o padre Marco
Aurélio. Padre Robson tem uma concepção diferente e nós temos uma
concepção diferente. O que nós avaliamos é o tempo, queira ou não
queira, essa foi uma das maiores falhas, muito afoito pela questão
da juventude. Poderíamos ter tido a tranquilidade, como resolvemos
vários problemas. Quando eu liberei, por exemplo, a questão da
Basílica, a questão da construção da Basílica, foi dois dias. O
padre Robson indicou a Tallita Di Martino, que foi até secretária
de Turismo da minha administração, poderíamos ter feito isso,
porque a questão da descida da multidão deu uma conotação
diferente. Aí as pessoas pegaram isso e deram uma conotação
política, como se nós estivéssemos contra a religião. Nunca
tivemos, muito pelo contrário, sempre tivemos uma relação
estreita. A Basílica, todos os procedimentos que foram feitos
levariam 40, 50 dias, eu fiz em dois dias para entregar para o padre
Robson. O padre Robson estava junto com a gente. Nós temos as
gravações, nós temos as filmagens, quando eu entreguei a ele e
automaticamente nomeei a Tallita secretária de Turismo da nossa
gestão.
Qual
sua análise hoje do atual quadro político de Trindade?
Ricardo
Fortunato – O quadro como sempre, a política não traz
muitas novidades nem muitas surpresas. Praticamente quando se inicia
um pleito, quando se ganha a eleição, é o momento que você tem a
lua de mel. Você chega no mês de dezembro, por exemplo, você tem
99,9% dos votos e quem perdeu não tem nenhum dos votos, até que
você começa a nomear os secretários, você começa a nomear os
superintendentes, o superintendente queria ser secretário. O que
você nomeia diretor queria ser superintendente ou secretário e
começam os transtornos da questão da administração. Trindade,
todas as vezes no início dos pleitos, nós temos lá 6, 7
candidatos, aí vai afunilando, afunilando, afunilando e, no final,
se define por duas ou três forças políticas, que é o que eu
avalio, hoje, que devemos ter dentro da cidade de Trindade. São três
forças políticas principais, no máximo. Pode acontecer de ter duas
e ser uma campanha polarizada, mas automaticamente que eu avalio hoje
no cenário é que deve ter três correntes políticas,
principalmente porque as coisas mudaram. Essa minireforma política,
se você observar, ela diminuiu o tempo de campanha. Então, para ser
apresentado um novo candidato talvez não dê tanto tempo. Se você
avaliar nós temos 45 dias de campanha, vai uns 8 dias para tirar o
CNPJ, sem CNPJ você não pode fazer material; mais uns 7 dias de
gráfica, 15. 30 dias de campanha. Vai ser igual a café: pouco,
quente e forte. Automaticamente as pessoas que estão no cenário de
situação e oposição já levam uma grande vantagem. É muito
difícil criar um nome novo para fazer uma disputa eleitoral no
município de Trindade.
Você
acha que por aí podem estar o prefeito Jânio Darrot (PSDB), Nélio
e Ricardo Fortunato (PMDB) e a deputada federal Flávia Morais e o
ex-prefeito George (PDT)?
Ricardo
Fortunato – Essa aí é a tendência que se faz. Mas
agora a gente não sabe hoje como que está a aproximação... por
que faz parte da linha do governo. Então nós não sabemos. Saem
três candidatos ou sai uma campanha polarizada, que nós avaliamos
que dentro disso, vai ser o grupo do PMDB com os partidos aliados,
vai ser o PDT com os partidos aliados e o PSDB com os partidos
aliados, que é a tendência natural. Queira ou não queira, 2016
começa a desenhar a campanha de 2018 e é muito dinâmico. Estamos
aqui hoje falando de pleito eleitoral. Vamos fazer uma análise fria,
bem racional mesmo, parece que foi ontem que nós perdemos as
eleições e hoje nós estamos discutindo pleito eleitoral, a
sucessão. Três anos já se passaram e agora tem mais uma novidade
essa será a última vez que terá reeleição. Eu, na minha
concepção, vai ser bom para os municípios, vai ser bom para os
Estados e vai ser bom também para o governo federal. Essa oxigenação
ela é necessária, ela é importantíssima que se faça. Cada um
fazer a parte sabe que hoje você assume, amanhã você vai ter que
entregar. Então você vai se preocupar única e exclusivamente, a
sua maior preocupação não vai ser com a questão política, você
vai se preocupar com a questão administrativa.
Uma
coisa que a gente percebe é a falta de oposição. Parece que em
Trindade não tem oposição. Você perdeu as eleições e a gente
não vê articulação da oposição em Trindade e isso é porque a
gente não está vendo bem ou porque realmente não tem oposição?
Ricardo
Fortunato – Não, ela é desse jeito. A política é
muito dinâmica, ela não é igual à matemática, que é exata, ela
oscila muito tempo. A política está sendo feita a todo momento.
Agora a maior oposição ao gestor são os seus próprios atos e as
oposições elas vão articulando nas pequenas reuniões, nos
encontros, nos pequenos cafés da manhã. É como se fosse um tempo
chuvoso, é o momento de plantar. Você vai plantando a sementinha e
ela vai ramificando. Então essa é uma tendência natural. Agora,
quem detém o controle da Prefeitura Municipal e também juntamente
com o Governo tem uma tendência de que a oposição não seja tão
acirrada, por parte dos representantes políticos, não quer dizer
por parte da população que ela tem um sonho. Quando você é eleito
existe uma expectativa em cima de você e em cada momento em que você
não vai gerando a expectativa essas pessoas começam a passar a ser
oposição. É que no momento se você se apresentar, você vai ter o
sentimento de despeito. Ah, porque perdeu o pleito eleitoral e por
isso está fazendo essas colocações. Então você dá o tempo para
a pessoa administrar, depois do tempo consolidado administrativo, a
partir do mês de janeiro começa a discutir as questões políticas.
Pode ter certeza absoluta disso que está igual ao carvão, tá
pegando fogo. As articulações são feitas, as pessoas vão se
acomodar, os grupos que estiverem satisfeitos eles vão começar a
defender a base eleitoral; os que estiverem insatisfeitos vão
começar a ramificar os seus projetos de governo. Política não
acaba nunca.
A
gente vê essa questão do PMDB regional em Goiás que agora não
conseguiu fazer novos acordos e a Comissão Executiva vai provisória.
Essa confusão, qual é a razão disso?
Ricardo
Fortunato – É o que nós ficamos felizes. Tudo que é
grande, tudo que tem expectativa de retomada de poder às vezes tem
realmente essas indisposições. Nós tínhamos que estar preocupados
se o partido tivesse paralisado, se ninguém tivesse interesse no
comando, se as pessoas não tivessem interesse em fazer um projeto
para 2016 e, de contrapartida, um projeto para 2018. O que nós vimos
nisso aí é uma questão natural. Isso são novas lideranças
surgindo, é a turma tradicional que também faz parte da tradicional
da política se mantendo com um posicionamento firme. Então, eu acho
que nós estamos no caminho certo do sucesso, é o tripé: respeito
ao passado, avalia o presente, projeto de futuro. Temos essas três
gerações dentro do partido. Certeza absoluta que as coisas vão se
ajustar. A questão da Comissão Provisória já foi encaminhada e
findou o exercício do Diretório Estadual no dia 31 de outubro,
agora vai ser encaminhada a Comissão Provisória, mas no prazo
máximo de 90 dias se fazer um Diretório Estadual. Então vai ser
assim muito dinâmico e isso vai ser bom para oxigenar o próprio
partido.
Vai
dar um acordo agora entre os Maguitistas, os Iristas?
Ricardo
Fortunato – Tudo, vai dar um acordo. Eu tenho
conversado, a nossa relação é muito estreita com as pessoas. Então
o Nailton Oliveira, o Daniel Vilela que pleiteou a presidência, o Zé
Nelto que fizemos parte da mesma chapa, lá não existia ganhador e
perdedor nessa história. Termino o pleito, se tivesse disputando a
questão das chapas, todos nós somos peemedebistas, porque o que
está sendo discutido não é nem a questão de uma Executiva, a
maior discussão era a questão do presidente. O grupo da Executiva
praticamente já estava definido. Era dentro de um consenso de chapa.
Então vai ser interessante. Então, o Sandro Mabel que não tinha
interesse agora já motivou, o Iris Rezende, o Nailton Oliveira vai
continuar com o posicionamento, o Daniel Vilela, o Zé Nelto, nós
também. Então eu tenho certeza absoluta que o partido vai ganhar e
vai ganhar muito com essa situação.
Você
acha que o Iris Rezende tem que ser o grande nome ainda?
Ricardo
Fortunato – Não, o Iris... nunca existiu isso na cabeça
dele. As pessoas têm uma concepção diferenciada. O Iris não
queria, tentou várias vezes, reiteradamente, não disputar o pleito
eleitoral de governo. Agora novamente é normal, as pesquisas
destacam ele de novo. E já vem todo mundo atrás dele para ele ser
candidato à prefeitura de Goiânia. Agora, o Iris é um nome
respeitado, tem experiência, tem história, mas nunca coibiu o
surgimento de novas lideranças, muito pelo contrário. Ele sempre
incentiva, 24 horas. E o partido é tão grande que nós vamos
detectar isso a partir de agora. São 20 anos. Nós estamos há 20
anos na oposição, sem ganharmos o pleito eleitoral.
Automaticamente, quando nós passarmos a ser governo, a partir de
2018, as coisas vão mudar, vai-se fortalecer, mas ainda continua
todo mundo unido. E essas divergências são importantes,
principalmente para você buscar a convergência e esse é o objetivo
maior.
Você
como pessoa influente até no Diretório Regional, tem sua
articulação aí, como você viu aquelas notícias de que o PMDB
estadual não prioriza as eleições em Trindade?
Ricardo
Fortunato – Nós temos duas coisas... O que passou foi
uma nota com 9 cidades onde tinham televisão, que tem a questão do
hábito televisivo, casos de Catalão, Itumbiara, Goiânia,
Aparecida, Anápolis, Rio Verde e essas têm a cobertura televisiva.
Essa é a interpretação. A nossa não tem. Essa interpretação foi
errônea. Trindade está no centro. As pessoas estarão... Toda a
nossa bancada estadual, a bancada federal. O Iris candidato iremos
fazer a campanha dobradinha lá entre o PMDB de Trindade e o PMDB de
Goiânia. Então todo esse tipo de relação. Foi apenas uma nota e
você pode observar que a partir de janeiro nós vamos cansar de ver
as caras do pessoal nosso fazendo a articulação. Nossos deputados
estaduais, federais, nossos renomes, nossas maiores lideranças
estarão junto conosco em Trindade para conquistarmos o pleito
eleitoral.
Como
está o preparativo do PMDB de Trindade para as eleições
municipais?
Ricardo
Fortunato – Estamos muito mais preparados...
Presidente
do PMDB é o Nélio Fortunato?
Ricardo
Fortunato – É, continua na presidência. Fizemos o
Diretório. Dentro disso, hoje, nós temos mais de... Vai ser o único
partido dentro da cidade de Trindade que vai ter que ter convenções
para a escolha dos candidatos proporcionais [a vereador]. Já estamos
preparados, a chapa já está pronta. Vamos lançar essa chapa. Já
estamos agora em busca das alianças, porque dentro do PMDB não tem
mais espaços, não cabe mais, para disputar o pleito. Nós já
estamos com mais de 40 candidatos, por exemplo, nós vamos lançar
27. Então nós vamos remanejar, hoje é o partido que tem que ter...
Só para você ter noção, nesse período de tempo nós estávamos,
continuamos, trabalhando. Hoje o partido, da forma como nós fizemos,
ele tem mais força na eleição proporcional do que na época que eu
era prefeito.
Vocês
têm condições de lançar chapa completa?
Ricardo
Fortunato – Já temos partidos aliados que nós estamos
ramificando nomes para eles, por que dentro do PMDB já está
completo. Nós estamos 100% tanto nos 30% das mulheres, que são
obrigatórios, tão quanto no complemento do restante 70% de homens.
E
o nome majoritário [para prefeito]?
Ricardo
Fortunato – É, a cada momento não tem jeito, as
pessoas chegam, não deixam de cogitar. Fui prefeito, o Nélio foi
deputado. Não deixam de cogitar novamente para que se faça uma
eleição de comparação. E o que acontece dentro disso eu sou
tranquilo. A gente segue, político, você já viu, não tem decisão.
Os galhos mais rijos são os primeiros a serem quebrados. Então, a
todo momento você tem que flexibilizar. E se houver aceno por parte
da população, então claro que nosso nome estará à disposição
para disputar com a maior tranquilidade do mundo, como disputamos
todas as eleições.
Você
venceu uma, perdeu outra, você quer essa revanche?
Ricardo
Fortunato – Estou tranquilo. Se a população acenar e
fizer uma análise que estamos prontos. Uma coisa é certeza
absoluta, o PMDB tem candidato a prefeito da cidade de Trindade. Já
está sacramentado. Isso aqui nós já estamos avaliando. Nós não
estamos preocupados, o partido já está pronto com essa definição,
tanto que já preparamos as candidaturas proporcionais, já temos os
nomes também majoritários, tem outros nomes também que podem
surgir. Uái, está aberto o partido. Qualquer um dos nomes que tiver
destacado e ainda há tempo para alguns nomes surgirem para disputar
a candidatura de prefeito ou vice-prefeito. O vice fica mais
complicado porque automaticamente nós vamos fazer as alianças, mas
a candidatura de prefeito o partido está de portas abertas. O que
nós consideramos, dentro disso, temos a maior tranquilidade do mundo
é ganhar a corrida eleitoral, fazer 2017 quando o partido... ter
tranquilidade também de estar administrando conjuntamente com um
governo nosso, do PMDB, em 2018, com partidos aliados.
Para
uma revanche Ricardo Fortunato X Jânio e ver o que dará isso,
digamos, essas judiciais estão sendo sempre notícia. Agora,
recentemente, mais uma ação civil pública contra sua
administração, isso lhe desanima, por exemplo, a continuar na
política?
Ricardo
Fortunato – Eu, pra mim, eu fico dos mais sossegado. Eu
sou da área, eu sou advogado e dentro disso algumas notícias que
tem pra nós... Eu agora estou tendo informação por você. Eu não
tenho conhecimento nenhum dessas ações. Eu vi uma ação num jornal
essa semana sobre o “Triii Trindade”. Outras ações eu não
tenho nem conhecimento. Eu não fui notificado em nenhuma, mas assim
que for, estou preparado para discutir, estou preparado para a
questão da ampla defesa e contraditório. Se for cerceado, observa
para você ver, é simples. Se você observar O Popular de anteontem,
por exemplo, o Vanderlan foi acusado em várias ações de
improbidade, buscaram... por cerceamento de defesa. Por enquanto eu
não tenho conhecimento nenhum dessas ações que estão tendo. Eu
fui inelegível, eu sempre enfrentei uma série de dificuldades.
Quando eu ganhei as eleições de... quando eu fui vereador mais
votado da cidade de Trindade, em 2004, que tive 1.031 votos, falavam
que eu não tomava posse. Aí tomei posse falavam que eu não
terminava o meu mandato. Aí quando eu fui, fiquei na presidência,
durante o período de 6 meses, o Sassá me antecedeu, o Ézio
Bernardes, que eu gosto muito. Dentro disso eu fiquei 6 meses, depois
falaram também que eu ganhei a Prefeitura... Primeiro que eu não
podia ser candidato a prefeito, aí depois que eu ganhei falaram que
eu não tomava posse, depois falou que eu não terminava o mandato.
Então, na minha concepção, eu só fui inelegível no ano de 2012
porque eu perdi as eleições. Se tivesse ganho teria tomado
aceitado, teria tomado posse e naturalmente não tenho nada que me
prejudique, não tenho conhecimento de nenhuma ação que me
prejudique, a questão da minha candidatura dentro da cidade de
Trindade, que possa me consolidar e eu sou acostumado a lidar com
essas situações. Eu acho da seguinte forma. Claro que a oposição
está no papel dela, não vai me elogiar e não vai me aliviar.
Agora, tem essas ações que eu citei dois exemplos de improbidade
administrativa que deu até uma conotação muito maior que envolveu
a questão do patrimônio histórico, eu fui absolvido de pronto em
todas as duas e não teve divulgação nenhuma e isso não me
assusta, isso não gera nenhum tipo de desestímulo, pelo contrário.
É o seguinte, se essas ações hoje, existe essa rigidez e eu acho
que é essa a cautela que estão tendo, eu tenho tentado, eu converso
com as pessoas que hoje fazem parte da administração atual e falam.
Gente, hoje amadurecemos. A vida é couro de boi, hoje eu te dou,
amanhã eu recebo. Então a gente tem que tomar muito cuidado com
essas colocações. Hoje eu respondo, amanhã outras pessoas estarão
respondendo a um processo nessas ações. Agora, eu sou o tipo de
pessoa com posicionamento. Eu como prefeito eu tomo decisões, eu não
deixo o Ministério Público administrar a minha prefeitura. Desde o
momento que te elegeu o povo acreditou em você e fazer recomendação
para mim... e tem outra coisa, não é nem muito normal, a gente não
sabe a quantidade dessas ações, eu não tenho conhecimento delas. A
hora que eu for notificado, automaticamente vão abrir a questão do
amplo direito de defesa e do contraditório. Do que eu ouvi falar,
específico do "Triii Show", que é a única que eu sei, que
eu li no Diário [Diário da Manhã] e no Popular, mas já foi
acolhida pelo próprio Tribunal que me auditou e já foi sanada a
irregularidade. Então, eles não deixaram nem terminar o processo
administrativo e já vieram com uma propositura de ação por ato de
improbidade. Estou tranquilo, sossegado, não sei o que tem, mas a
hora que vier automaticamente eu terei a oportunidade de defesa, de
ampla defesa, questão do contraditório. Não vai ser cerceado o meu
direito de defesa, se for a gente anula e vou ter a tranquilidade de,
se houver um aceno por parte da população, de ganharmos as eleições
e entregarmos novamente, e ser novamente o prefeito, com muito
orgulho da nossa cidade de Trindade.
Do
seu período de prefeito tem algum arrependimento?
Ricardo
Fortunato – Não, não tenho. Muito pelo contrário. Foi
uma história de aprendizado. Você ser filho e depois ser pai.
Agente ser só filho não compreende muitas ações que são feitas,
quando você passa a ser pai você passa a enxergar o mundo de forma
diferente. Eu até falo, se invertesse, a gente poderia ser pai para
depois ser filho, não teria um filho ruim.
Você
tem quantos?
Ricardo
Fortunato – Eu tenho dois. O Rafael
Fortunato, tem 6 anos, e tenho a Júlia, de 2 aninhos. Um casalzinho.
Então dentro disso a concepção muda, as histórias mudam, o tempo
muda e tenho certeza que quando as pessoas... e os erros que nós
cometemos são todos erros que fáceis de serem corrigidos. Quando
você, se eu tivesse ganho o pleito eleitoral eu não teria nenhum
defeito. Como nós perdemos... Quem tem intenção de permanecer
junto à gestão se elogiar passa a enfrentar a linha de perseguição
da atual gestão. Isso também é natural. Eu tenho uma grande
satisfação. A gente nasceu na cidade de Trindade, me identifico com
a cidade, cresci, as oportunidades foram geradas. É um povo amável,
querido. É um povo que precisa da proteção do poder público. Nós
temos lá 2% das pessoas que têm uma capacidade financeira da classe
média a alta. 98% precisam das ações da Prefeitura, precisam das
ações sociais. Ação social não é apenas comida, precisa de uma
bolsa, precisa de um remédio, precisa de uma cirurgia. 98% da nossa
cidade ela ainda precisa dessa linha de proteção. Então para mim
foi o maior aprendizado que eu tive na minha vida. Você pode fazer
uma análise e perguntar, “Ricardo, e a questão do convívio?”.
O convívio com as pessoas é a melhor coisa ali que tem. Porque você
vai desenvolver, por exemplo, no meu campo, no meu escritório de
advocacia. Chego lá, o foco principal, além de fazer um atendimento
de excelência, mas a questão é privada. As pessoas que vão te
procurar tem uma condição financeira razoável, se você atender
você vai ter o recurso financeiro de contrapartida pelo seu serviço
prestado. No poder público não. Ele é uma entrega. E dentro do
escritório para você mexer com 300 pessoas, praticamente você vai
um ano e dentro de uma Prefeitura você recebe 300 pessoas em um dia,
quando você faz atendimentos. E ali cada pessoa que chega, que
senta, seja um empresário, seja um comerciante, seja um funcionário
público, seja a pessoal que está desempregada, seja dos serviços
gerais, todas as pessoas, é igual o ditado, “não existe uma
pessoa tão sábia que não tenha nada a aprender e não existe uma
pessoa que não tenha conhecimento, não tenha nada a ensinar”.
Então, todo dia você aprende um pouquinho, até de valorizar um
pouco mais a nossa vida e ver as oportunidades que Deus deu para nós,
porque dentro disso, dependendo do grupo onde você vive, você
imagina que todos são iguais. Não são.Tem muitas pessoas que
sofrem, que necessitam. Por isso essa gratidão desse tipo de
sentimento. Quando entreguei as 1,2 mil casas, quando entreguei os
231 apartamentos, quantas obras fizemos, quantas cirurgias foram
feitas, quantos benefícios, setores pavimentados que de primeiro era
um trieiro, que um lote valia 3 mil reais e hoje você vai e vale 80,
90 mil reais e a pessoa não vende. As casas que valiam 80 mil reais
hoje valem 250 mil reais. Não existe uma coisa melhor do que isso. E
outra coisa. Fiz toda essa pavimentação asfáltica e nunca cobrei
um real de asfalto e nunca aumentei IPTU.
Se
você tiver a oportunidade de novo o que você muda em sua conduta no
exercício do poder?
Ricardo
Fortunato – Tudo que nós tivemos de experiências que
não foram proveitosas nós vamos mudar. Essa é uma... O problema é
que você, muitas das vezes, você começa a atribuir. Quando
você tem muitas responsabilidades, você começa a delegar. O
problema foi acreditar demais nas pessoas. Então dentro disso você
pensaria que estava bem representado, em algumas áreas eu não
fui bem representado. E as pessoas aqui não desvinculava. Quando eu
fazia, foi a pessoa que realizou; quando fazia, não atendia os
interesses ou não atendia, aí a responsabilidade vinha diretamente
no peito do prefeito. Então, hoje, eu tenho a concepção do
seguinte, desde o momento, se você vai colocar o seu nome à
disposição, você tem que estar consciente plenamente que vai
dedicar sua vida, de manhã, de tarde, à noite e de madrugada para a
questão da gestão nos quatro anos. Seja na questão da entrevista,
seja na colocação, seja nas respostas, seja no contato com o
público. Prefeitura é só local de despacho. Local do prefeito tem
que ser no contato diretamente com a população,
porque eu enfrentei isso. Quando eu fui candidato, fui para a
reeleição eu não queria ser candidato à reeleição. Reuni com
várias pessoas que fazia parte de vários grupos e perguntei quem
seria o candidato que nós íamos ajudar. Não apareceu ninguém,
acabou, sobrou a responsabilidade para mim. Mesmo
durante esse tempo não fizemos uma campanha sem planejamento. E uma
coisa que eu sentia demais da conta, a todo momento, teve algumas
coisas que eu fui me envergonhando, eu fui pedir, teve pessoas que eu
peguei nas mãos delas, que eram meus eleitores, depois de três anos
e meio. Praticamente eu já era... porque esse final de mandato você
não é mais prefeito, nesse momento aqui você já é candidato. O
gestor atual também já é candidato, ele já não é mais prefeito.
Hoje o secretário já está querendo jogar o desgaste para cima, o
outro quer lançar uma candidatura a vereador pra ver se exime da
responsabilidade, que falou que se existe desgaste a responsabilidade
não é dele. Então, eu enfrentei tudo isso e, hoje, com a
experiência do que eu já passei, teria a tranquilidade de fazer uma
exímia administração, uma maravilhosa administração para o nosso
povo trindadense, utilizando toda experiência, utilizando toda ainda
essa juventude com essa chama de transformação que permanece acesa,
mas claro mais comedido, mais sossegado, mais tranquilo, com mais
sabedoria, acertando um pouco mais nas peças chaves para serem
colocadas para atender às necessidades do nosso povo e assumindo
ainda mais uma coisa, assumindo mais responsabilidade, porque se nós
colocamos o nome à disposição você tem que saber do que você vai
ter que enfrentar.
Você
tocou num ponto aí. Como é que está seu relacionamento com seus
ex-colaboradores?
Ricardo
Fortunato – É excelente o relacionamento com todos
eles, é o processo natural. Quando você sai do poder, quando você
está nele as pessoas estão em volta, está lá convivendo com você
no dia a dia. Quando você está fora dele aí você tem que fazer um
novo processo, mas eu vejo isso com muito naturalidade. Vamos
relembrar os tempos medievais. Como que era? Você pode observar que
a maioria dos exércitos, o General volta não são os mesmos
soldados que vão pra uma guerra que voltam para a outra. A
alternância é um ciclo natural, a gente ganha uns, perde outros. E
dentro disso, também serve como um aprendizado, porque se nós
tivéssemos atendido, com as pessoas que foram colocadas, com cada
uma, porque eu respeito todas as pessoas que contribuíram da forma
delas, mas se nós tivéssemos acertado na indicação não teríamos
perdido as eleições. Eu perdi as eleições. Automaticamente, o
trabalho que nós realizamos, por mais que realizamos muita coisa,
muita coisa, muitas obras foram feitas e volto a enfatizar. Se você
fizer uma análise de 30 anos anteriores não tem a quantidade de
obras que nós fizemos em 4 anos. 30 anos não tem a quantidade de
obras que nós fizemos e todas enumeradas, todas aplicadas, pagamento
no mês vincendo, tratamento diferenciado com todos os funcionários,
em todas as áreas, inclusive até hoje existe uma expectativa muito
grande. É engraçado, Raquel (servidora que já trabalhou na Câmara
Municipal e na Prefeitura de Trindade) fazia o Imposto de Renda dos
funcionários da Prefeitura e hoje reduziu 80%, porque as
remunerações, elas diminuíram. Então até hoje se faz a
comparação dos contracheques, o que o pessoal recebia e o
que o pessoal recebe hoje. Então o que eu noto é o seguinte nossa
fórmula, o que nós fizemos, apesar das idealizações, não
corresponderam, tanto que nós perdemos as eleições. Hoje você
desce de um carro, você cumprimenta, você a uma reunião nos locais
aonde a gente vai, você é bem recebido. Sou muito popular em todo
local que nós vamos. Existe aquela expectativa. Por exemplo, jogador
de futebol, a pessoa conversa e fala sobre futebol. Se você mexe na
política, conta-se uma história da família, pode falar de futebol
e a política, acaba dentro da política, principalmente incentivando
muito... “Ó, quando retornar, precisamos que você retorne”.
Então, vamos aguardar os acontecimentos. Vamos nos preparar para que
realmente... Continue acenando. Se houver o aceno popular é certeza
absoluta que nós não iremos fugir de uma disputa não.
É
possível ou provável que a gente veja uma aliança, digamos, pela
oposição entre os Fortunato (Ricardo e Nélio) e os Morais (George
e Flávia)?
Ricardo
Fortunato – Tudo pode acontecer.
Vocês
conversam?
Ricardo
Fortunato – Hoje o quê que acontece? Nós não temos
dificuldade nenhuma. Nós temos pessoas também que fazem parte do
convívio comum que também conversam então hoje para aliança ainda
é muito prematuro. Você observa, as pessoas falavam que aliança em
política de um dia para o outro já dá trabalho, imagina se nós
avaliarmos pra 7, 8 meses para frente, mas tudo pode acontecer. Mas
hoje a nossa preocupação maior é o fortalecimento partidário.
Depois do fortalecimento partidário as alianças são coisas
naturais que irão acontecer. Nós estamos abertos para qualquer tipo
de conversa. Se dentro desse projeto apresentar e demonstrar que o
que mais contribuir, que representa melhor, que poderia ser feito por
outro nome, de outro partido ou aliança também, nós temos a
questão da flexibilidade de fazer um projeto comum.
Em
outubro de 2016 teremos um Fortunato na urna eletrônica?
Ricardo
Fortunato – Não, se aqui dentro disso, um forma que vai
ter, se houver o aceno, certeza absoluta. O PMDB vai fazer o
lançamento, não fica sem lançar candidato. Todos são candidatos
hoje e amanhã ninguém é candidato. Hoje ninguém é candidato,
amanhã todos podem ser candidatos. Só que eu estou falando, se você
observar, começou a afunilar. Quem falava que era candidato a
prefeito está lançando as candidaturas pelas Câmaras, outros já
estão preocupados pela forma da aliança, de ficar muito pesado um
partido e de repente perder um pleito eleitoral. Então já começaram
as preocupações. Começou a afunilar. Se você observar, saindo
desses três nomes [prefeito Jânio Darrot, Ricardo Fortunato
e Flávia Morais] não existe mais nem articulação. Não
existem nomes que surgiram até o presente momento. E possivelmente,
a gente que sabe que as coisas modificam muito rápido, é muito
difícil sair da disputa por essas três frentes no município de
Trindade.
Entre
você e seu irmão, Nélio Fortunato, quem está mais animado com a
disputa?
Ricardo
Fortunato – Dentro disso todos nós somos tranquilos,
nós temos assim os pés bastante no chão para disputar o pleito
eleitoral. Não existe vaidade pessoal nossa para a disputa. Da mesma
forma que falei que o partido está aberto, se surgirem outros nomes.
Necessário que se faça, necessário que discuta. Por quê que eu
falo a questão do PMDB? O PMDB, juntamente com os partidos aliados,
é automaticamente é o que vai afunilar ou vai clarear para 2018.
Então, é o PSDB e partidos aliados e PMDB e partidos aliados. Essa
é a tendência natural da disputa. Então fica uma disputa mais
consistente, não é diminuindo os partidos. Talvez a estrutura
partidária maior, a composição das bases na Câmara Federal e na
Câmara Estadual, a questão da representatividade inclusive nacional
para trazer para essa disputa. As nossas lideranças locais. Então
tem uma questão de representação, uma estrutura partidária maior.
O partido, por exemplo, está tudo pronto. Ele tem sistema de gráfica
pronto. Ele tem marketing contratado. Está tudo pronto para a
disputa eleitoral.
Em
Trindade que você fala?
Ricardo
Fortunato – Trindade, tudo cem por cento pronto. Pessoal
já está trabalhando, a equipe de marketing já está trabalhando. A
questão das gráficas já estão prontos, todos contratados para a
campanha eleitoral. A questão já dos recursos das artes, inclusive
as artes já estão começando a ser elaboradas com os pré-candidatos
já. Nós já estamos adiantando tudo, para chegarmos ao pleito
eleitoral e já estarmos prontos para a disputa eleitoral. É um
partido, que o quê que acontece? Não é para negociar local, não é
para buscar secretaria, é para fazer a disputa e ganhar a
Prefeitura. E para isso nós temos a consciência de que sozinho não
se ganha não, precisamos de aliados. Nós precisamos, como se fosse
a formatura de uma imagem, precisamos de uma pecinha em cada lugar
para que façamos a multiplicação e ganharmos as eleições.
Em
Trindade pode repetir a aliança PMDB-PT?
Ricardo
Fortunato – Não, a situação hoje não sabemos.
Podemos fazer aliança com todos. E também as alianças a agente tem
uma expectativa e amanhã não podem ser feitas, concretizadas, mas
conversas nós vamos conversar com todos os partidos. Nós tivemos o
pleito, hoje o PT parece que existe uma tendência maior para o PDT,
em função da Flávia [deputada federal Flávia Morais] ter nomeado
o superintendente do Trabalho [Arquivaldo Bites, do PT de Trindade, e
vice-prefeito do próprio Ricardo Fortunato], ele criou uma relação
maior, mas o Partido dos Trabalhadores é um partido respeitado, mas
está enfrentando uma série de dificuldades, principalmente na
questão de filiação.
E
a proximidade de vocês com o Democratas?
Ricardo
Fortunato – Existe uma grande... Existem aqui muitas
conversas que vão ser estabelecidas e automaticamente essas
conversas vão se ramificar para os municípios, porque dentro disso
aqui a tendência com o Democratas, porque esse é o perfil que
estamos avaliando na caminhada são os dados. Chega lá, se o
Democratas tiver um candidato, mas vamos colocar os dados, vamos
utilizar os critérios da pesquisa Quali e da pesquisa Quanti. O que
tiver melhor, disputa o pleito eleitoral. Ninguém quer uma disputa
igual a essa não. Não tem jeito de pensarmos uma campanha dessas de
forma isolada. As oposições, mesmo que sejam menores ou sejam
poucas, que não verdade não são, são muitas, dentro de uma grande
tendência nós temos que unir as oposições e dentro dessa união
são as conversações que nós começamos aqui agora. É começar a
conversar, é dirimir, é esclarecer alguns pontos que ficaram
duvidosos, é reconhecer, nós termos a humildade de reconhecer... É
muito fácil, às vezes a gente atribui a responsabilidade de um erro
a um terceiro, mas é muito mais fácil a gente reconhecer. Causa e
consequência, a vida da gente é assim e a política da mesma forma
que a todo momento o dia começa, a noite vai na madrugada e o dia
recomeça, política recomeça a todo momento. Então, você veja a
questão das alianças que nós vimos. Se você ver na época o PSC
com o PDT, o PSDB esteve com o PDT, o PC do B, esperando que a
Flávia, que ela viesse a compor com o governo na base, ela compôs
com o Marconi. Isso é considerado praticamente normal, o que não
pode dar uma estabilidade dessas somos nós que aí é um impacto
generalizado tanto municipal quanto a nível de estado. Então o que
observamos é isso, o cenário é um cenário claro. Se você
perguntar para mim, “Ah, mas nos temos alguns comentários
de que o prefeito é imbatível”... Infelizmente, não é isso que
os dados falam.
Você
disputou eleição contra todo mundo, aquela primeira vitória em
2008, a gente tem que respeitar o papel do seu irmão, mas se não
fosse o papel do prefeito Ricardo Fortunato com aquele empenho todo,
dificilmente ele teria sido eleito. E depois, mesmo no exercício do
poder você perdeu as eleições. Então quer dizer, você já ganhou
como o fraquinho da história, como forte elegeu o seu irmão
[deputado estadual Nélio Fortunato, em 2010] e no exercício do
poder, perdeu. Qual que é o jeito mais, digamos assim, fácil de
chegar ao poder?
Ricardo
Fortunato – A vida é engraçada, né? Política se ela fosse
igual à matemática ou uma receita de bolo, você põe 2 ovos,
coloca aqui, bate por tantos minutos... Ela não tem esse formato.
Ela é cenário, é momento, é expectativa. Dentro disso nós
perdemos um pleito eleitoral e eu tinha consciência de que nós
perdemos por uma questão de credibilidade. Nós tínhamos um
candidato forte [Jânio Darrot] que o povo sempre teve uma vontade de
ver ele prefeito da cidade de Trindade, imaginava que tocaria a
Prefeitura de Trindade como toca seus negócios privados. E dentro
disso, eu me refiro, o marketing pegou. É um cara simples que ficou
bem de vida e criou no subconsciente das pessoas uma expectativa. Era
a realização de um sonho. Se imagina como uma varinha de condão
que ia tocando e transformando a cidade. Infelizmente não é hoje a
concepção. Quando você for prefeito ou então governador tem o seu
desgaste natural, a máquina é benéfica mas ela também é
maléfica. Ela te ajuda em algumas ações, mas ela te traz muitos
desgastes, você não dá conta de atender praticamente todos. Então
dentro dessa análise que nos fizemos, se você tiver o mandato o
certo seria a rejeição. Agora quando é expectativa aí é
desilusão. Hoje é o sentimento que a gente nota através dos dados
que foram apresentados. Então o que estamos observando e temos aí,
existe uma rejeição muito grande por parte da atual gestão e você
administrar rejeição não é fácil. Você chega num teto dela,
para você dar conta de fazer a administração dessa rejeição, mas
se você me perguntar “Ricardo, qual a avaliação que você faz?”,
deixa o povo fazer. Até hoje a avaliação não é positiva não da
gestão. Nós observamos aí as pavimentações asfálticas que foram
feitas, todas estão sendo levadas principalmente pela questão da
chuva e de contrapartida aquela linha que eram muitas promessas de
CBUQ que ia resolver o problema e hoje as críticas que foram
dispensadas a nós, praticamente eles estão copiando quase 100% do
modelo da questão da nossa gestão. Hoje a questão da rejeição
pode atrapalhar bastante, mesmo eles achando que são imbatíveis. A
gente nota muitos aliados que tiveram do lado deles e hoje também já
não estão tão movidos pelo sistema da causa.
Entrevista:
Vereador Erik Cotrim
Vereador
pede, pede, pede e não é atendido
Erik
Rodrigo Cotrim de Andrade (PROS) é vereador de primeiro mandato. Nas
eleições de 2012, Erik Cotrim, então candidato pelo PSDC, recebeu
1.045 votos e conquistou assim uma das 17 cadeiras na Câmara
Municipal de Trindade. Chegando lá, o vereador estreante no
exercício de mandato político esteve à frente do Legislativo
trindadense, como presidente, no período de junho a dezembro de
2014.
Conversamos
com o vereador a respeito de vários temas relativos à política de
Trindade. O vereador se queixa do fato de ter apresentado 300
requerimentos de serviços mas, até o momento, apenas 3 deles foram
atendidos. Erik é crítico em relação à qualidade dos serviços
públicos municipais, especialmente aqueles a cargo de Secretarias
como as de Obras, Transportes e Desenvolvimento Regional e,
particularmente, quanto à pavimentação asfáltica que a Prefeitura
Municipal aplica hoje em dia, seguindo uma espécie de costume em não
fazer um trabalho bem-feito, no entendimento do vereador.
Leia,
a seguir, os principais trechos da entrevista.
São
três anos de vereador, qual sua avaliação deste período?
Erik
Cotrim - Eu tenho uma avaliação
positiva deste período como um vereador atuante, sempre cobrando
melhorias para a cidade de Trindade, não deixando também de
reconhecer alguns avanços que Trindade tem tido nesse último ano de
administração do prefeito Jânio
Darrot (PSDB). Me sinto com a cabeça
tranquila estou tentando fazer o meu trabalho, o melhor de mim no
sentido da melhora da cidade de Trindade em todos os aspectos, no
Asfalto, na
Infraestrutura,
na Educação,
na Saúde.
A gente tenta
brigar dia e noite só por coisas melhores.
Você
está animado para buscar mais um mandato de vereador?
Erik
Cotrim - Primeiro temos que pedir a
Deus pra gente terminar o nosso mandato. A gente pode vir, sim,
candidato à reeleição, mas a gente também sonha em chegar talvez
a uma proporção maior que seria
a cadeira do
Executivo
da cidade
de Trindade.
Sabemos que é muito difícil, o poder financeiro da cidade de
Trindade na questão política é muito grande de todos os lados que
vão disputar, mas talvez se Deus preparar e ver que talvez seja o
momento e a
gente tem essa vontade e pensa nesse sonho de disputar a cadeira do
Executivo, talvez a gente se encaixe
nesse novo que o
pessoal sempre está pedindo.
Pelo
seu partido atual, o PROS (Partido Republicano da Ordem Social)?
Erik
Cotrim -
Eu tenho aval do PROS
para uma candidatura, até foi enviado ofício para Câmara
Municipal de Trindade nos lançando pré-candidato a prefeito pelo
PROS. Pode,
sim, ser pelo PROS também,
um partido que me acolheu, é um partido que me da estrutura, mas
muitas coisas podem mudar e até
abril que é onde aí finda
[o prazo] para quem
tem mandato mudar de partido, mas eu
pretendo que seja pelo PROS.
Até
agora o que você destaca de sua atuação como vereador?
Erik
Cotrim -
Acho que o nosso destaque como vereador,
hoje, é nunca ter aceitado alguns desmandos que a gente vê desse
secretariado na cidade de Trindade. Às
vezes, aí com coisas erradas, fazendo algumas coisas erradas a olho
nu, como o pessoal aí da
rede social sempre acompanha algumas denúncias verdadeiras. Tem uma
bandeira de lutar pelo funcionalismo público, é uma bandeira que eu
nunca deixei, porque eu vim de uma garagem municipal, eu vim do sol
quente, essa bandeira do funcionalismo, hoje, é muito importante e
nós temos
uma promessa de quando eu era presidente da Casa
[Câmara Municipal de Trindade] que
iria chegar um plano de carreira, fui lá, juntamente com o
prefeito, e até hoje esse plano de
carreira está aí para ser votado. Porque, realmente, quem faz o
serviço da cidade
são os funcionários
que hoje estão totalmente desvalorizados pela Administração,
não só por essa, mas vem uma defasagem
de muitos anos e a questão da atuação
buscando as coisas corretas. O
que eu quero é correção nas coisas. A
gente está vendo algumas coisas boas, mas precisa de
tomar a
rédea que o secretariado do prefeito
está achando que eles é que são prefeito.
Como
você enxerga o papel do vereador no âmbito da administração do
município?
Erik
Cotrim -
Nós estamos aí com três anos de mandato e eu vejo que queria
cobrar aqui, hoje, no seu blog mais atitude da população no
sentido de usar o vereador, de tentar
buscar com o vereador
a representatividade que o seu bairro necessita. As visitas que eu
recebo na Câmara,
da população, são totalmente diferentes do sentido que teria
que ser feito. As
pessoas procuram a Câmara
para outras situações e não para o real
sentido que é buscar melhor iluminação para o setor dele, o
asfalto para o setor dele. O
vereador também,
quero deixar bem claro, ele é travado. O
vereador não consegue realizar nada. Para o vereador realizar
algumas funções ele precisa do prefeito. Quem
faz é a prefeitura e a população acha que o vereador, muita das
vezes, é ele que asfalta, é ele que troca lâmpada, é ele que
consegue tudo e não é. O
vereador, ele
só tem uma arma, que se
chama requerimento para pedir ao Executivo ou ao secretário da
pasta que o secretário realize o pedido
dele, que seria tapar um buraco no asfalto, uma creche. Então,
o vereador
é preso; se ele não tiver uma parceria com o Executivo... Eu, por
exemplo, vou deixar um exemplo aqui, eu apresentei mais de 300
requerimentos de melhoria pra cidade e até hoje, 3 requerimentos meu
foram
atendidos. Então
a gente fica preso o vereador então é essa ponte, mas se o
Executivo não realizar os pedidos do vereador, o vereador passa a
ser chacota, porque o vereador não realiza nada, cobra e tenta
fiscalizar e legislar.
Eu sou
legislador e sinto essa dificuldade minha de em
300 requerimentos em três anos, 3 serem
atendidos.
A
impressão que se tem é que a Câmara Municipal funciona mais a
serviço dos interesses do prefeito do que em favor da população.
Na sua opinião
essa forma de se perceber o Legislativo Municipal é correta?
Erik
Cotrim - É
uma situação difícil de estarmos falando, mas eu não tenho
restrição de falar. Primeiro
passo, talvez, talvez não, eu tenho
certeza se a população fosse presente
às terças-feiras no horário das
nossas
sessões,
se aquele Plenário fosse lotado, a história da Câmara Municipal
seria diferente. Hoje a Câmara
Municipal
aprova os projetos do prefeito sim, os interesses do Executivo,
no sentido de Orçamento,
no sentido de convênios,
no sentido de concurso público, tudo que o prefeito mandou para ser
votado na cidade de Trindade, foi aprovado. Tudo.
Até alguns projetos mirabolantes foram
aprovados, por questão do IPTU, da
iluminação pública e eu, naquele
momento, não poderia voltar sendo o
presidente da casa, só voltaria em
caso de empate e não poderia prender a matéria. O
presidente não tem poder de prender uma matéria. Cumpridos
os prazos
regimentais ela
tem que subir para ser apreciada. Então,
se a população estivesse presente, cobrasse, muitas coisas seriam
diferentes. Eu
vou citar o
exemplo do aumento da planta de valores. Será
que se a população tivesse lá reivindicando,
cobrando, votaria da forma que foi votada? Em alguns lugares, até
com 300%, 400% de aumento! Agora, fica
muito fácil votar uma matéria dessas.
Os vereadores hoje
que compõem a base do prefeito, porque
não tem fiscalização. Cadê o público, igual é
a matéria orçamentária do IPTU em
Goiânia, que o plenário da Câmara Municipal de Goiânia cai e os
vereadores votam do jeito que a população quer?
Enquanto a população não ver que
precisa ir para
Câmara
conferir o trabalho do seu vereador
que ela elegeu,
vai continuar da mesma forma, entra prefeito e
sai prefeito e continua da mesma forma.
Até
o momento, qual é a grande contribuição que
esta legislatura está deixando ou vai deixar na história?
Erik
Cotrim - Essa
legislatura, eu vejo que ela está devagar, em alguns
sentidos, e
eu não estou aqui para esconder. Conseguimos aprovar alguns projetos
interessantes. A
olho nu, às vezes, a população não vai entender. Foram projetos
votados na nossa administração como presidente, projetos que
estavam engavetados até aquele
momento, que foi a questão da doação do terreno da Creme &
Mel, ali
de frente à
Coca Cola, que era um projeto que estava há muito tempo na Câmara
Municipal e nós, naquele momento, precisávamos mostrar para a
população uma coisa boa. A Creme
& Mel é
uma empresa de um mil
e duzentos funcionários e irá
transferir para Trindade mais de um mil
veículos, e ajudaria muito no sentido
do emprego e nós pedimos que todos os
empregos daquela localidade fossem direcionados para cidade de
Trindade. Nós votamos e fizemos nossa parte, me parece que agora
tem um problema na Justiça
de quem permutou com quem vai dar, a nossa parte nós fizemos é algo
muito interessante. E o outro projeto, para
mim, foi o mais interessante, que é de
muito valia para cidade de Trindade, até
mesmo porque
o prefeito é do lado do Governador, foi
a aprovação do polo industrial... 67 alqueires do Polo
Industrial
para que esse Polo seja transformado em
empresas para cidade
de Trindade e a parceria lá é forte. Só que esses lotes lá vão
ser vendidos, não serão doados e com construção do anel viário,
com comprometimento do Governador de fazer um anel viário até o ano
que vem este anel viário passar dentro do
Polo Industrial eu acho que são duas...
foram as
únicas duas [matérias] de relevância
que foram votadas na Câmara
de hoje, mas a Câmara
tem muito a melhorar. Temos
mais um ano aí para mostrar a
que viemos mas, sozinhos,
nós somos fracos.
Qual
sua avaliação do atual momento político de Trindade?
Erik
Cotrim - Eu vejo,
hoje, que o momento político de trindade ele está bom. Vejo que a
Administração... estão realizando algumas pequenas obras
importantes. Quero citar, dentre elas, aquele alargamento entre as
duas pistas em volta da Igreja Padre Pelágio. Aquilo foi muito
importante para o setor e para a cidade de Trindade. Vejo, também,
hoje, a construção do Parque do Cerrado, que na minha concepção,
vai ser a obra da administração. Esse Parque do Cerrado é lá onde
é o viveiro municipal. Está ficando realmente uma obra excepcional.
Nós temos que reconhecer também, até pelo fato de sermos oposição,
reconhecer as coisas boas. Então, eu vejo aquilo lá como uma coisa
boa. Vejo que esse ano a cidade está ganhando muito com a política,
neste sentido das realizações das obras, até mesmo porque no ano
que vem na reeleição temos que mostrar serviço se nós quisermos
continuar onde estamos. E o momento político hoje está complicado,
nós estamos perto do momento de pré-candidaturas, estamos vendo
ex-prefeitos voltando das pré-candidaturas, vendo a atual
administração. E eu vejo o momento político de trindade hoje um
bom momento e nós temos que aproveitar dessa parceria do Governo de
Trindade com o Governo de Goiás, nós temos muito a ganhar com isso,
e ganhamos muito, mas temos muito mais a ganhar e talvez que Trindade
melhore muito nesse último ano.
Por
quê temos a sensação de que não há oposição organizada em
Trindade?
Erik
Cotrim - Eu concordo
com você nesse sentido. Eu me declaro vereador de oposição. Sempre
me mantive na oposição, mostrando os erros que a administração
têm. Oposição, aquela oposição de incoerência eu acho que hoje
ela não vale a pena, que seria o quê? Talvez eu pegar um trio
elétrico, igual nós fizemos no começo do mandato na manifestação,
quando fecharam o Posto de Saúde do Cristina 2. Eu vejo que a
oposição tem que ser coerente, ela tem que mostrar os erros e
também mostrar as qualidades. Eu pago muito por isso, porque as
pessoas hoje talvez não vejam que o Erik é um vereador
independente. Nós carregamos uma imagem que eles acham que talvez as
minhas ações não são por mim, eu quero deixar bem claro a todos,
eu sou um vereador independente, tenho amizade com todos os grupos
políticos, mas as minhas ações que eu acho que são coerentes não
é necessário eu ir para a rua, não é necessário eu fazer coisa
que talvez a gente não tem como voltar atrás. Coisas que prejudicam
a população, prejudicam a cidade e isso eu não vou fazer. Agora,
mostrar os erros, mostrar a minha independência e cobrar, no sentido
da melhora, eu vou fazer, uma oposição coerente mostrando os erros
e reconhecendo os poucos acertos que tem, porque também tem acerto,
e o vereador ele não pode ser só cego e mostrar coisas erradas, tem
que mostrar as coisa boas, neste sentido. A oposição louca de
manifestar, de gritar, ela não tem; tem, da minha parte, a oposição
coerente no sentido de cobrar e de mostrar.
A
atual gestão do prefeito Jânio Darrot, em seu ponto de vista, é
boa?
Erik
Cotrim - Hoje eu
considero, depois de três anos de administração, regular. Eu vejo
e sinto que o prefeito ele tenta buscar, está fazendo obras, talvez
obras que poderiam ter sido feitas no passado, há uns dois anos, que
estão sendo realizadas nesse momento. O secretariado do prefeito é
muito fraco. Eu vou dar um exemplo aqui que eu bati e vou dar de
novo, nós temos um secretário de Obras, um de Transportes, um de
Desenvolvimento Regional, que e o responsável da questão da Região
Leste [Trindade 2]. Porque o prefeito de Trindade teve que trazer de
Aruanã, um senhor chamado Jurandir para fazer a malha asfáltica de
Trindade? Exemplo nato, que todo mundo está vendo. Quem faz o
asfalto em Trindade é o senhor Jurandir. Então, o quê que o
secretário de Obras está fazendo? O quê o secretario de
Transportes está fazendo? O que o secretário de Desenvolvimento
Regional está fazendo? Se eles, que são as pessoas responsáveis
por executar as obras, o prefeito tem que trazer uma quarta pessoa
para fazer? Então, assim, eu reconheço hoje que está fazendo
atrasado, mas está. Falo também que não é o Jânio, nós estamos
sofrendo isso com quatro administrações, duas com reeleição a que
passou e a de hoje: o asfalto de Trindade é de péssima qualidade.
Há 16 anos Trindade não tem um asfalto CBUQ (Concreto Betuminoso
Usinado Quente), não tem uma rede pluvial. Vai lá prepara o chão,
joga o piche, joga uma brita, pó de brita e o asfalto está pronto e
fazem o meio-fio simplesmente para segurar o asfalto do primeiro ano.
Há 16 anos, nós não temos um asfalto de qualidade em Trindade.
Pelo
que a gente depreende da sua opinião, o ponto fraco, o pior serviço
da Prefeitura Municipal, na gestão do Jânio Darrot, é o asfalto?
Erik
Cotrim - Hoje sim,
porque o prefeito Jânio, ele conseguiu arrumar a questão da
Educação. Nós temos escolas bem-arrumadas, bem estruturadas, na
questão da Escola Municipal Modelo que foi inaugurada; na questão
da Escola Municipal Cirandinha. Não sei se vocês tiveram a
oportunidade de presenciar. Foi uma valorização na Educação que
não tinha. A questão da Saúde, reconheço que melhorou um pouco,
mas melhorou, e quero deixar bem claro, pela questão do Hutrin
(Hospital de Trindade), porque o Hutrin, hoje, tem um serviço de
excelência, de qualidade e que desafogou muito a questão dos PSF,
mas tenho que dizer aqui o seguinte, o Hutrin não é obrigado a
atender tudo, o Hutrin é obrigado atender urgência, emergência e
trauma, e tem um acordo entre Governo da cidade e Governo do Estado,
que o Hutrin vai atender tudo, porque hoje, depois das 16h30, os PSF
fecham às 16h30, se o Hutrin falar que só irá atender a minha
obrigação de contrato, que está no contrato, onde o povo de
Trindade vai ser atendido? Nós não temos atendimento 24 horas.
Então assim, melhorou nessa questão, mas a falha vai vir logo ali
na frente, porque o governador já começou a cortar gastos. E a hora
que o Hutrin falar assim, “ó, prefeito, o senhor abre os seus 24
horas que eu vou atender só os meus”, se isso acontecer num sábado
ao meio-dia, onde o povo de Trindade vai ser atendido?
O
que é preciso se fazer para melhorar a qualidade dos serviços
públicos municipais, de um modo geral?
Erik
Cotrim - A gente tem
que ter coerência de falar nisso porque Trindade, infelizmente e é
a culpa disso tudo é a questão da nossa, a nossa renda é muito
ruim. Nós somos uma cidade desse tamanho para arrecadar aí 11, 12
milhões de reais por mês, enquanto Senador Canedo, que é metade do
que nós, arrecada 30 milhões de reais. É muito difícil
administrar com pouco recurso. É muito difícil.
Mas
administração com muito é fácil, qualquer um vai dar conta, não
é não?
Erik
Cotrim – Isso é uma verdade. Com muito, muitos vão dar conta.
É
o que a gente imaginava, que o Jânio, por ser um empresário
bem-sucedido, acostumado com lidar com a vida empresarial dele ia
saber lidar com poucos recursos de Trindade, ou não?
Erik
Cotrim - Foi uma surpresa para todos essa questão dessa
esperança, dessa evolução, que o Jânio, na questão profissional,
ele é um empresário mega-sucedido, não é nem bem-sucedido, é um
empresário mega-sucedido. E as dificuldades, muita das vezes, dessas
licitações, fez com que o prefeito debruçasse um pouco nessa
questão. Eu acho que precisa melhorar os atendimentos mesmos, talvez
com mais coerência, e o grande problema que a gente vê, em todas as
pastas, é o jeitinho. Vou falar bem claro talvez a questão de pedir
uma coisinha ali outra coisinha aqui, e isso no final poderia estar
ajudando muita coisa. Eu sei que uma coisa que é falha e talvez as
pessoas deveriam estar muito bem, e eu vou citar um exemplo aqui
muito claro do prefeito Maguito Vilela, ele tem uma equipe de
trabalho que busca recurso do governo federal, que transformou
Aparecida de Goiânia. Será que nós não deveríamos ter uma equipe
que ao invés de ficar gastando com secretários incompetentes, com
pessoas incompetentes, se nós pagássemos uma equipe para buscar
esse recursos, porque no governo federal chove de recursos. E eu
quero deixar bem claro, todas as obras que estão sendo inauguradas,
Escolas, CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil), foram obras
empenhadas no passado. A única obra do futuro, que vai sair dessa
Administração, talvez seja o Parque do Cerrado. Tudo que está
sendo inaugurado agora, são obras que foram empenhadas... que
demoram. Talvez você comece uma obra e ela só vai acabar, talvez
daqui a três, quatro anos e o mandato já acabou.
Qual
a avaliação que você faz do secretariado do prefeito?
Erik
Cotrim - A avaliação
do secretariado do prefeito que eu faço, não quero aqui
generalizar, existem pessoas competentes e eu vou citar nome delas
aqui para que não tenha nenhum problema. Um secretário ruim, não
tem como promessa de campanha, nenhum técnico capaz, a não ser a
secretária de saúde, que me parece que é técnica. O prefeito tem
um dilema na política que é assim, nunca contrate quem você não
pode demitir, que é a questão das amizades. A escolha do
secretariado hoje, por amizade, prejudica demais o prefeito. É
secretariado incompetente, secretariado que hoje trata o cidadão
mal, com salto alto, fala da pessoa de vereador, no meu caso, em
bares, falam que eu sou um moleque, que eu sou um inconsequente, que
eu não sei de nada. Falam até do prefeito, em bares da cidade. Não
vão falar do vereador? Falam do prefeito que é o patrão deles.
Temos um exemplo aqui, acho que é um bom secretario, que é o de
Finanças. O Zé Esteves, um mega-profissional, está conduzindo o
Controle Interno da Prefeitura brilhantemente. Quero reconhecer que
talvez, hoje, o trabalho do senhor Esmeraldo, que é muito criticado,
mas é criticado, porque ele está lá para obedecer as ordens.
Então, muita das vezes, ele tem esse desgaste por obedecer ordens e
as pessoas não entendem isso. Agora, o restante, Obras, Transporte,
Turismo, que Turismo aqui e só o Padre que faz. Me mostra uma ação
da Prefeitura de Trindade na questão do turismo. Se tem turismo aqui
é porque nós temos o Padre Robson que traz o povo. O quê que a
Prefeitura de Trindade oferece de turismo ou de incentivo que essas
pessoas venham para Trindade? A avaliação minha e que 70% do
secretariado do prefeito Jânio é incompetente. Não devia estar lá,
se tivessem pessoas técnicas, com compromisso de segurar os seus
empregos, Trindade estaria muito melhor.
O
grande indutor da economia de Trindade, hoje, são as ações da
Afipe mais do que a Prefeitura e isso também se reflete no fato da
arrecadação municipal ser baixa, porque a gente não percebe a
Prefeitura de Trindade como indutora da economia. Ou eu estou
exagerando ou vendo a coisa errada?
Erik
Cotrim - Eu acho que
você não está exagerando não. Se tivesse um apoio maior na
questão dessa estrutura turística da cidade de Trindade, pela
Prefeitura, não era só a Prefeitura que ganharia com isso. Todos os
comerciantes ganhariam com isso, a cidade ganharia com isso. Hoje
você vai naquela estrutura, de ver aquelas feirinhas ali no fundo da
igreja, com a outra feirinha que tentou ser feita abaixo do Igreja e
sendo que nós temos muitas áreas ali em volta que talvez sejam
áreas públicas, que o prefeito poderia ter transformado em lojinhas
para atender o cidadão trindadense, dado esse incentivo ao grande,
porque não incentiva o pequeno, porque uma pessoa que tem um lugar
pra oferecer. Outra coisa que é fato, nós temos um terreno que
seria a Praça do Carreiro, que poderia ser desafetada e ser
construído um pequeno shopping naquele lugar que é uma área
pública. E nesse shopping ser doadas as salas, ou que pagassem
também. O município preciso de arrecadar. As pessoas estariam
comprando, os lojistas estariam ganhando, a Prefeitura estaria
ganhando, porque o comércio da cidade iria girar, iria ser melhor. E
outra ação, me mostra um banheiro público perto da Igreja Matriz,
me mostra um banheiro publico perto da Basílica e na Praça do
Carreiro, me mostra uma placa de indicação mostrando ali perto onde
é a Basílica. As pessoas só acham que tem a festa de Trindade e o
turismo aqui é o ano inteiro. Cadê uma barraquinha da Saúde ali na
Praça da Matriz, na Praça do Santuário Novo para medir a pressão
de uma pessoa, para conversar para bater papo, ou estou falando de
mais? Mas quando é a festa de Trindade, aí não, aí é banheiro,
aí é latão de lixo. Outra coisa, você vai subir aqui o
secretariado não vê, que de quinta a domingo Trindade é outra
cidade, é uma cidade turística. Eles deixam o lixo envolta da
Basílica, como é que faz?
O
quê você pensa dessa expansão urbana que está acontecendo em
Trindade?
Erik
Cotrim - Nesse momento
aqui eu quero até isentar a atual Câmara Municipal de Trindade que
não é responsável por nenhum loteamento desses que estão abrindo.
Nós não fizemos nenhuma votação de expansão Urbana nessa
administração do governo Jânio Darrot. Todos esses loteamentos que
estão abrindo foram votados em administrações passadas. Eu vou
citar um exemplo. Tem loteamento que não abriu aqui que foi aprovado
em 1982, no mandato do Valdivino Chaves. Está desordenada. Essa
questão também aí da Caixa Econômica dessa Minha Casa Minha Vida,
desordenou a construção de casas hoje na cidade de Trindade, não
só aqui mas em muitos lugares está desordenado, nós vemos ali hoje
a questão que está abrindo ali naquele antigo Motel Faraó, no
loteamento no Josias, então a dificuldade que nós temos hoje, eu
vou citar como o Monte Cristo, não tem água encanada. Como que eu
vou abrir loteamento sem água, sem infra-estrutura e você vai lá e
já vendeu os lotes? Você sabe na saída para Santa Bárbara o novo
loteamento que abriu do lado esquerdo, não tem água encanada e você
vai na Saneago, a Saneago não tem condição de colocar água
encanada. Se o loteamento não fizer a sua própria estrutura com
poço artesiano, não vai ter água. Eu isento a Câmara Municipal
nesse sentido, porque já tinha sido aprovado e outra questão
estrondosa no Santa Luzia, foram construídas mais de mil casas e tem
mais 5.000 casas para construir e eles vão arrancar a água ali
aonde? Então, tinha que ter coordenação, mas hoje o Ministério
Público notificou a Leonardo Rizzo por causa do loteamento do Rosa
Morena, ali no Pontakayana, ele vendeu coisas bonitas e foi lá e não
tem nada disso. Precisava de organização. Nesse sentido nós
estamos segurando e a Câmara Municipal não tem como brecar isso, já
fizemos as ações no Ministério Público, audiências públicas,
para conter estas questões dos loteamentos e dessa questão de água,
que não tem água, não tem energia, não tem estrutura, mas,
infelizmente, está acontecendo.
Essa
questão da segurança pública, você acha possível que o município
atue nessa área?
Erik
Cotrim - A Segurança
Pública, de um modo geral, no Estado, no Brasil, ela é horrorosa,
mas em Trindade, ela está vergonhosa. Eu fui vítima de dois
assaltos, um inclusive dentro da Câmara Municipal de Trindade, uma e
meia da tarde. Tive que mandar abrir o portão para o ladrão sair e
se eu errasse, eu morreria. Aqui em Trindade, eu quero isentar o
Coronel Segato. Não sei se vocês puderão ver, eu coloquei outdoor
espalhados na cidade cobrando do Governo a questão da Segurança
Pública. Nós temos quatro viaturas para atender Trindade. Como é
que com quatro viaturas vão conseguir atender mais de 60 setores,
com mais de 60 mil habitantes na cidade de Trindade? Eles roubam
cedo, eles roubam à noite, eles roubam à tarde, na hora do almoço.
Virou um descontrole. Trindade, hoje, com essa inauguração dessas
duas rodovias, tanto a de Goianira, quanto a de Abadia de Goiás,
ficou fácil o fluxo para fugir daqui. O cara rouba e pode escolher
por onde ele vai embora, se por Campestre de Goiás, se por Abadia de
Goiás, se por Goianira. Falta atenção para segurança pública
demais em Trindade eu achei que seria um ponto principal devido a
amizade do prefeito com o governador. Nós estamos carentes. A
contribuição que poderíamos ter do município, não deixar somente
a cargo do Estado e da União, ver se conseguíssemos fazer igual foi
feito em Aparecida de Goiânia aquela Guarda Municipal armada, mas eu
volto a pergunta será que Trindade tem estrutura para isso? Será
que o nosso pessoal é qualificado para isso? Eu clamo, já pedi ao
Jânio, já pedi ao coronel, já enviei ofício, já fui pessoalmente
falar com o Comandante-geral sobre a questão de Trindade. Nós
precisamos de segurança. Hoje se nós quisermos segurança, nós
temos que chegar em casa antes de escurecer, trancar as portas e
ficar dentro de casa. Aí você está um pouco seguro e torcer para
quando você for abordado, você ter consciência de que você mesmo
tem que fazer a sua segurança. Entrega o que você tem e fala para o
meliante “Olha, amigo, vai embora, não quero nada com você”,
entrega o que você tem e não reage porque senão você vai morrer.
Então a segurança de Trindade, na minha opinião, é nota zero,
poderia ser melhor porque hoje nós somos administrados pelo mesmo
partido que administra o Estado. Eu acho que o governador tinha que
olhar para Trindade. Porque quando Marconi vem em aqui em Trindade,
visitar a cidade, tem polícia de helicóptero de cavalo de carro,
ROTAM, GATE, e depois que ele vai embora foi tudo embora Trindade
Ficou a mesma coisa com as quatro viaturas é complicado eu queria
ter uma varinha de condão pra fazer assim “ó, eu Erik Cotrim,
resolvi a segurança pública de Trindade”. Não dou conta, igual
eu falei, vereador pede, pede, pede e não é atendido.
A
ocupação das calçadas por comerciantes em Trindade é uma
realidade difícil de ser resolvida, isso lhe incomoda?
Erik
Cotrim - Eu acho que
está abusivo. Acho que teria que ter um entendimento ali. Usa um
pouco e deixa um pouco. Sei lá, acho nós não podemos ser drásticos
também com a nossa população de Trindade, com as pessoas que estão
trabalhando. Acho que teria que ter um entendimento se a calçada 5
metros, isso é a minha opinião como vereador, eu vou te dar dois e
meio e você me dar dois e meio vamos dividir a calçada para não
atrapalhar a população, os comerciantes, mas está abusivo. A
Prefeitura de Trindade tem condição de fiscalização para isso, a
lei aprovada é proibido não pode, não pode, então resta também
do Executivo fiscalizar, colocar os fiscais para trabalhar. Volto lá
no caso nosso a falar sobre arrecadação. Se vem aqui e fala, “Erick
Cotrim, o senhor podia nos ajudar recuando sua calçada dois metros e
meio e me dá um metro e meio para que o pedestre possa passar
também, vamos entrar num acordo, nós não queremos também
prejudicar a população no momento, nós queremos estar junto”.
Não, na segunda vez não deu, na terceira vez, infelizmente, o
senhor foi notificado porquê não está cumprindo a lei da cidade de
Trindade, mas a Prefeitura esconde os fiscais e não põe os mesmos
para trabalhar. Vê se no centro da cidade, tem cabimento pelo tanto
de entulho que tem? Por quê que não terceiriza este trabalho já
que não tem coragem de multar o cidadão infrator? Quer arrecadar,
tem os meios de arrecadar e não faz? Você tira os lixos da Vila Pai
Eterno e do Centro cedo, de tarde o cidadão que você tirou cedo ele
coloca o mesmo lixo que ele tinha na parte da manhã coloca de novo.
Cadê a fiscalização? Cadê a postura? Cadê? Não é chegar e
multar. Primeira vez, “Senhor, não faz isso, não. Se acontecer de
novo e o senhor reincidir nós vamos multar o senhor”. Trabalha
consciência e depois aplica lei porque tudo que está acontecendo aí
tem lei para multar, tem lei, para cobrar. Só que nós, vereadores,
não temos bloco para multar. Cobramos, mas não fomos atendidos.


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