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Os caminhos da guerra

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Quando o mundo se organiza antes do primeiro tiro Marcelo Lopes falando sobre os caminhos da guerra. (Foto: Divulgação) ARTIGO | Comendador Marcelo Lopes é empresário, escritor, psicanalista, maçom e rotariano Há datas que não passam. Elas se infiltram na história como traumas coletivos. Em 7 de dezembro de 1941, o céu do Havaí foi rasgado por aviões japoneses. Pearl Harbor não foi apenas um ataque militar — foi uma ruptura simbólica do imaginário de segurança ocidental. Na manhã seguinte, Franklin D. Roosevelt subiu ao Congresso e declarou: “ December 7th, 1941 — a date which will live in infamy.” 7 de dezembro de 1941 — uma data que viverá na infâmia. Naquele instante, o isolamento americano morreu. A neutralidade virou ilusão. O país mudou de pele. Mais de 2.400 jovens marinheiros morreram numa guerra que “não era deles”. Mas Pearl Harbor ensinou algo definitivo: a guerra não pede licença para atravessar oceanos. A cultura da vigilância A partir desse trauma, os Estados Unidos ...

O grito que o divã não aguenta mais

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Um manifesto sobre a clínica que precisa olhar o corpo sem abandonar a alma Ilustração com imagem do Canva e Marcelo Lopes (Foto: Divulgação) ARTIGO | Comendador Marcelo Lopes é psicanalista Escutem . Escutem antes que o silêncio da sala vire pacto. Antes que a repetição elegante das teorias sirva apenas para proteger o analista do desconforto de admitir que algo está sendo mal escutado. Há neuroses , sim. Há sintomas que retornam como cartas não respondidas. Há histórias que se repetem porque o sujeito insiste em não se ouvir. Mas há também tireoides em colapso , regendo o humor como um maestro cansado, acelerando o coração, roubando o sono, fabricando angústias que nenhum significante explica sozinho. Há testosteronas no chão , levando junto a energia, o desejo, a confiança mínima de existir no mundo. E vocês chamam isso de resistência. Há estrogênios oscilando , transformando o corpo em território instável, onde a ansiedade brota sem pedir licença e a tristeza chega sem endereço si...

O Globo que não para de girar

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Uma crônica poética sobre atrito, permanência e o lento polimento da alma ARTIGO | Comendador Marcelo Lopes é escritor, empresário, maçom e rotariano Eu me lembro bem do dia. Não foi um dia épico. Foi um dia de poeira, papel assinado, graxa suja e uma intuição sem manual. Duas betoneiras gigantes. Duas. Compradas no interior de Goiás . Uma operação que parecia exagerada para quem olhava de fora, mas absolutamente necessária para quem sabia que certas coisas grandes não se movem sozinhas. Foram guindastes, carretas especiais, batedores bem posicionados, e dois técnicos em eletricidade acompanhando o trajeto, porque em alguns pontos foi preciso erguer a fiação, como quem pede licença ao céu para permitir a passagem do que não cabe na rotina da cidade. À primeira vista, lembravam betoneiras de obra. O mesmo desenho. A mesma lógica. Mas em uma escala quase insolente. Motores de 50 kW, capazes de girar cerca de cinco metros cúbicos por ciclo. Máquinas que não nasceram para mist...