Dívidas: Melhor evitar

Em um cenário onde metade da população adulta convive com contas atrasadas, descubra como o planejamento financeiro e a disciplina podem evitar as armadilhas do crédito e garantir o equilíbrio necessário para sua saúde emocional e qualidade de vida

Manoel Souza falando sobre dívidas. (Foto: Divulgação)


ARTIGO | Manoel Souza é administrador, funcionário aposentado do Banco do Brasil (BB), diretor da Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil no Distrito Federal (AFABB-DF) e conselheiro da Federação das Associações de Aposentados e Pensionistas do Banco do Brasil (FAABB)

Durante a campanha na eleição presidencial dos Estados Unidos em 1932, Franklin Roosevelt, num discurso de rádio, disse o seguinte: “Qualquer governo, assim como qualquer família, pode gastar durante um ano mais do que recebe. Mas você e eu sabemos que a perpetuação desse hábito conduz à penúria”.

No nosso país, em um cenário marcado por juros elevados, consumo facilitado e renda cada vez mais pressionada, as dívidas deixaram de ser um problema isolado para se tornar um fenômeno social que atinge milhões de pessoas.

O que começa muitas vezes com uma compra parcelada ou com o uso recorrente do cartão de crédito pode evoluir para um ciclo de endividamento difícil de romper. Segundo pesquisa do Serasa de dezembro/2025, metade da população adulta do Brasil convive diariamente com contas atrasadas, juros elevados e insegurança financeira que afeta não apenas o orçamento, mas também a saúde emocional e as relações familiares.

Diante desse contexto, compreender as causas, os riscos e os caminhos para prevenir e enfrentar as dívidas torna-se não apenas questão individual, mas desafio coletivo.

Não é difícil entender que a origem do endividamento fora de controle é uma combinação de fatores conjunturais e comportamentais. Entre os principais estão a falta de planejamento e o uso inadequado do crédito.

No âmbito das famílias, o impacto das dívidas fora de controle resulta em conflitos, adiamento de planos e redução da qualidade de vida.

O cartão de crédito e os empréstimos pessoais, muitas vezes contratados sem planejamento, se tornam armadilhas quando os juros se acumulam e transformam pequenas parcelas em dívidas de longo prazo. A falta de educação financeira e a impulsividade para o consumo, estimulados por ofertas e facilidades de pagamento, completam o cenário caótico.

No âmbito individual, as dívidas vão além dos números. O estresse causado por cobranças, restrições ao crédito e dificuldade para honrar compromissos financeiros estão associados a problemas de saúde mental, como ansiedade e insônia. Já na família, o impacto resulta em conflitos, adiamento de planos e redução da qualidade de vida.

O melhor caminho para evitar esse cenário indesejado ainda é a prevenção, que começa com planejamento. Manter o controle detalhado das receitas e das despesas é uma das principais ferramentas para identificar excessos e ajustar o orçamento. Gastos fixos e variáveis precisam ser organizados de forma que as parcelas e os compromissos financeiros não ultrapassem uma parte segura da renda mensal.

O uso cuidadoso do crédito é essencial. Antes de parcelar uma compra ou contratar um empréstimo, é importante avaliar a sua real necessidade.

Também é importante comparar taxas de juros e considerar o impacto da decisão no orçamento dos meses seguintes. A constituição de uma reserva de emergência é algo essencial que pode substituir a contratação de dívidas em situações imprevistas.

Para quem já está endividado, o primeiro passo é o diagnóstico. É fundamental listar todas as dívidas, valores, prazos e encargos financeiros, pois isso permite avaliar o tamanho real do problema. A partir daí, é possível priorizar o pagamento das dívidas mais caras, conversar e se entender com a família, cortar as despesas que puder, evitar desperdícios e não assumir novos compromissos até que a situação volte complemente ao normal.

Mais do que um problema financeiro, a questão das dívidas fora de controle é um retrato de como a sociedade lida com consumo, crédito e planejamento. Enfrentar e superar essa triste situação exige informação, disciplina e, sobretudo, a compreensão de que o equilíbrio financeiro é um dos pilares da qualidade de vida.

NOTA: Artigos publicados neste espaço trazem ideias e opiniões de quem os assinam e não do titular deste blog.


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