Mais que tradição, o Dia de Reis é metáfora da nossa busca pela luz que guia

Data marca o encerramento do ciclo natalino. É nesse momento que, tradicionalmente, as famílias desmontam presépios e guardam os enfeites de Natal

Andréa Prado de Azevedo: Dia de Reis é metáfora. (Foto: Divulgação)

ARTIGO | Andréa Prado de Azevedo é professora de Língua Portuguesa no Colégio Marista Goiânia

O dia 6 de janeiro é marcado pela celebração do Dia de Reis ou Dia dos Santos Reis, também conhecido como Solenidade da Epifania do Senhor. A palavra “epifania” vem do grego, podendo parecer complexa a princípio, significa “manifestação”, “aparição”. E é justamente isso que a data recorda: a primeira revelação de Jesus como o Messias, reconhecido e adorado pelos Reis Magos.

Segundo o Evangelho de Mateus, três sábios vindos do Oriente, que a tradição cristã nomeou como Melquior, Gaspar e Baltasar, seguiram a Estrela de Belém até encontrar o Menino Jesus. Eles levaram presentes simbólicos: ouro, representando a realeza; incenso, sinal da divindade; e mirra, que antecipava o sacrifício de Cristo. Esses elementos ajudam a compreender a profundidade espiritual da cena: não se trata apenas de uma visita, mas de um reconhecimento universal da missão de Jesus.

O Dia de Reis também marca o encerramento do ciclo natalino. É nesse momento que, tradicionalmente, as famílias desmontam presépios e guardam os enfeites de Natal. Esse gesto simboliza que a celebração do nascimento de Cristo se completa com a sua manifestação ao mundo. Assim, o Natal não é apenas uma festa familiar, mas um anúncio de esperança que se estende a todos os povos.

Além do aspecto religioso, a data carrega forte valor cultural. Em várias regiões do Brasil, especialmente no interior, ainda se mantêm tradições populares como as Folias de Reis, grupos que percorrem casas cantando e celebrando a visita dos Reis Magos. Em Portugal e na Espanha, é comum o preparo do bolo-rei, recheado de frutas e com pequenos brindes escondidos. Essas práticas revelam como a fé se mistura à cultura, criando laços comunitários e transmitindo valores de geração em geração.

A data é um convite à reflexão: assim como os Reis Magos se colocaram a caminho, cada cristão é chamado a buscar a luz que conduz a Cristo. A estrela que guiou os reis simboliza a fé que ilumina e orienta, mesmo em meio às incertezas. É uma mensagem atual, que nos lembra da importância de cultivar esperança e solidariedade em tempos desafiadores.

Celebrar o Dia de Reis, portanto, é mais do que recordar um episódio bíblico. É reconhecer que a mensagem de Jesus ultrapassa fronteiras e continua a inspirar gestos de fé, cultura e fraternidade. Ao desmontar e guardar os enfeites natalinos, não encerramos apenas uma festa: reafirmamos que a luz do Presépio permanece acesa no coração daqueles que, como os Reis Magos, se dispõem a seguir o caminho da fé.

Mais do que uma lembrança histórica, a data é um convite aos cristãos. Assim como os Reis Magos se colocaram a caminho, cada pessoa é chamada a buscar sua própria estrela, aquela que aponta para valores de solidariedade, justiça e fé. A narrativa dos Reis Magos nos ensina que a verdadeira sabedoria não está apenas em conhecer, mas em reconhecer a presença de Deus que se manifesta nas pequenas coisas da vida, em momentos diversos.

Celebrar o Dia de Reis é, portanto, celebrar o encontro. O encontro entre culturas, entre fé e tradição, entre o humano e o divino. É recordar que, no Presépio, não estavam apenas Maria, José e o Menino, mas também aqueles que vieram de longe, representando todos os povos. E é nesse gesto de adoração que se revela a mensagem mais profunda: Jesus veio para todos.

_____
NOTA: Artigos publicados neste espaço trazem ideias e opiniões de quem os assinam e não do titular deste blog.

Comentários