A força da fé que movimenta a economia: Trindade se prepara para a maior Romaria da história com foco na geração de emprego e renda

Em entrevista exclusiva ao Blog do Sérgio Vieira, secretário de Indústria e Comércio (SIC), José Maria Vieira, detalha as estratégias de logística, recepção e o amadurecimento do empresariado local para transformar o turismo religioso em estabilidade econômica o ano todo

Secretário José Maria, falando com exclusividade ao Blog. (Fotos: Reprodução)


A menos de 10 dias para o início da Romaria 2026, a Capital da Fé pulsa em um ritmo acelerado que ignora as oscilações externas, provando a resiliência única do turismo religioso no Coração do Brasil. Em uma conversa exclusiva conduzida pelo nosso blog, o secretário Municipal de Indústria e Comércio de Trindade, José Maria Vieira, traçou um panorama otimista e altamente técnico sobre os preparativos e as expectativas para o maior evento do município. Um dos gestores públicos à frente da organização da Festa, José Maria traz para a pasta a precisão e a credibilidade de sua bagagem como contador de grande prestígio e delegado do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-GO) em Trindade, oferecendo uma visão estratégica indispensável sobre o momento econômico da cidade.

O reaquecimento do comércio local já se faz visível pelo expressivo fluxo de ônibus turísticos no entorno da Basílica do Divino Pai Eterno, um termômetro definitivo para o comércio trindadense todo fim de semana. De acordo com os pontos debatidos pelo secretário, a prefeitura tem atuado fortemente em políticas de logística, recepção e infraestrutura para garantir que essa gigantesca massa de visitantes flua com segurança e conforto para além do eixo estritamente religioso. O objetivo central é integrar o turismo de fé com a cadeia comercial ampla, permitindo que o impacto financeiro circule de ponta a ponta na cidade e beneficie diretamente o trabalhador e o empresário local.

Diante de um empresariado que amadureceu e se preparou nos últimos anos, a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio tem concentrado esforços para que a "onda positiva" da Romaria ampare desde a grande rede hoteleira até o pequeno produtor e os fornecedores locais. A profissionalização e o suporte ao pequeno comerciante têm sido prioridades para transformar a movimentação turística em oportunidades reais de emprego e renda estáveis. Inclusive, a industrialização de produtos com a marca e a identidade de Trindade — para serem comercializados diretamente ao público flutuante — desponta como um dos caminhos para agregar valor à produção genuinamente trindadense.

O grande desafio da administração pública e do setor privado, contudo, reside em manter essa robusta engrenagem aquecida no segundo semestre, evitando os efeitos da sazonalidade após o encerramento da Festa de Trindade. Respaldado pelo excelente histórico de geração de empregos, onde os setores de serviços e indústria impulsionam o mercado formal, José Maria projeta um encerramento de ano promissor para 2026. Com ações planejadas e foco na atração de novos investimentos permanentes, a gestão busca consolidar a Capital da Fé como um polo de estabilidade econômica, onde o desenvolvimento e a devoção caminham de mãos dadas.

Leia a seguir a íntegra da conversa franca entre o secretário José Maria e Sérgio Vieira tratando de importantes temas para a economia local, bem como abordando assuntos relacionados à preparação para a Romaria do Divino Pai Eterno, edição 2026, que acontece entre os dias 16 de junho de 5 de julho. Uma tradição de fé que já soma quase dois séculos, mais especificamente, 186 anos que fieis católicos vêm à Trindade celebrar a devoção a Deus, no Coração do Brasil.

ENTREVISTA

Confira a íntegra do diálogo entre o editor do Blog e o secretário de Indústria e Comércio de Trindade, José Maria Vieira, detalhando as ações estratégicas para o município.

José Maria, Antonio Erasmo e Marden Jr, em reunião do Rotary.


Blog - Secretário, o "efeito Copa 2026" parece não afetar o fluxo turístico de Trindade e já estamos a menos de 15 dias da Romaria 2026, este sim o maior evento da cidade e região. Como a Secretaria avalia a resiliência da economia trindadense e o que torna o turismo religioso um "motor" tão independente de fatores externos?

José Maria - É fato que nós estamos diante do maior evento esportivo do planeta, a Copa do Mundo 2026. Simultaneamente a esse grandioso evento, Trindade vive aí a expectativa de nos próximos dias sediar a Romaria 2026, uma das maiores festas religiosas do nosso país, onde certamente importa a história de 186 anos de fé e devoção do nosso povo, da nossa querida Capital da Fé dos Goianos. É fato que enquanto outras cidades esperam render frutos em relação a esse grande evento esportivo, Trindade vive o seu caráter extremamente, vamos dizer assim, subjetivo, né? Essa particularidade intrínseca da cidade que é a, independentemente de fatores externos, de tendências momentâneas, de receber o nosso romeiro que vem para a nossa cidade e vem para fazer a sua prática religiosa e, consequentemente, é fato que isso também rende frutos econômicos para a nossa cidade, que ocupa a nona posição em termos populacionais, com 153.000 habitantes. Logo, você entende que vai passar pela cidade de 4 milhões de pessoas. Isso traz benefícios econômicos na movimentação da economia com cifras importantes, com geração de empregos diretos e indiretos, com várias oportunidades. É uma cidade que hoje tem a sua resiliência na própria economia, demonstrada por conta dos investimentos que chegam por aqui. Uma pesquisa recente coloca a Trindade no rol das 100 principais cidades do interior do país, melhor para se fazer negócio ou para atrair investimentos. Uma cidade que tem mais de 17.000 CNPJ, uma cidade que aparece como a quarta cidade da região metropolitana que mais atrai emprego. 14ª do PIB do Estado de Goiás, terceira em segurança, uma das primeiras colocadas na educação. Isso tudo se faz muito importante porque o turista chega aqui, a gente sabe que o motor da nossa cidade ele está muito entrelaçado com o turismo religioso. Por isso, a necessidade de que a gente trabalhe a quatro mãos e possamos atuar no sentido sempre de fazermos uma Romaria extremamente organizada, segura e acolhedora. Isso tem reflexo no setor produtivo e especialmente no setor terciário, contemplando a hotelaria, alimentação, comércio, transporte. Isso traz muitas oportunidades para o desenvolvimento socioeconômico de Trindade. Então esse é o contexto da relevância da nossa mola propulsora, que acaba sendo o turismo religioso.

Blog - O empresário Fernando Carlos Pereira aponta o alto quantitativo de ônibus no entorno da Basílica como um forte indicador de aquecimento econômico. Quais políticas de logística e recepção a prefeitura tem adotado para garantir que esse grande volume de turistas circule e consuma mais no comércio local, além do eixo religioso?

José Maria - É óbvio que é muito expressivo e muito importante esse quantitativo de ônibus que há dentro da nossa cidade, que traz o turista que além, de fazer a sua prática religiosa, ele vai, consequentemente, se for bem acolhido, e esse é o nosso desejo, aumentar o seu tempo de permanência aqui, o seu ticket médio também, que representa o consumo durante a sua estadia e a gente trabalha sempre com o olhar voltado para esse bom acolhimento. Isso é uma responsabilidade de vários atores, inclusive do poder público, criando mecanismo, políticas públicas, obras estruturais, de infraestrutura, sempre estarmos próximos do setor produtivo, onde estão os empreendedores, levando oportunidade por exemplo, de educação continuada, cursos, palestras, oficinas, mentorias, para que eles possam saber de fato e de que forma podem acolher melhor os turistas, visando sempre o aumentar desse ticket de médio da permanência, do consumo local. Neste sentido temos contado com o apoio imprescindível do deputado Cristiano Galindo que tem destinado várias emendas ao Orçamento para o município, convém lembrar. E é nesse sentido que a gente vai sempre continuar trabalhando. Hoje temos plano municipal de turismo já com índices de execução com percentuais importantes, mais de 60%. Isso demonstra o compromisso que a gestão tem com o fortalecimento do turismo religioso, a qualificação do serviço, enfim, e isso vai culminar certamente no desenvolvimento socioeconômico, buscando sempre o salto no desenvolvimento de Trindade. E eu tenho certeza que com esse trabalho a quatro mãos, de todos os atores que representam a pujança do turismo religioso, vamos cada vez mais buscar voos mais altos para consolidarmos a atividade turística e, consequentemente, a ascensão da nossa cidade.

Blog - Considerando que o empresariado local amadureceu e se preparou para transformar turistas em oportunidades de emprego e renda, como a Secretaria tem apoiado essa profissionalização, especialmente para que o pequeno comerciante e o produtor local não percam essa "onda positiva"?

José Maria - Acho que até pela maturidade dos empreendedores, independentemente do segmento de atuação, ele consegue vislumbrar e ver que a Romaria, que o turismo religioso não é tão-somente um evento religioso, é uma oportunidade legítima para que ele possa gerar renda e fortalecimento dos negócios locais. Isso é fato. E diante disso, a Secretaria tem trabalhado de forma muito incisiva tendo como um dos pilares da sua atuação, no que tange a educação continuada, levando sempre oportunidades aos empreendedores para que eles possam melhor gerir suas empresas com os nosso trabalho juntamente com Sebrae, com CTEC, para levar ao empreendedor ferramentas práticas para que ele possa melhor gerir o seu negócio. E além de ter a oportunidade de fidelizar, de entregar muito mais do que um produto, uma mercadoria, um serviço, entregar valor aos romeiros mediante um bom atendimento, que faz toda a diferença. Volto a falar sobre a permanência e o ticket médio desses turistas quando eles adentram nossa cidade. Então, o empreendedor que planeja, investe, traz qualidade no atendimento e vai cada vez mais buscar voos mais altos. E é nesse sentido que a Secretaria de Indústria Comércio estabelece o diálogo e o estreitamento de relações com os empreendedores, colocando a SIC à disposição de quem trabalha e produz.

Blog - Observamos que o aquecimento atual atinge desde a rede hoteleira até o pequeno produtor e a cadeia de fornecedores. Existe algum projeto em andamento para incentivar a industrialização de produtos "feitos em Trindade" para serem vendidos diretamente aos turistas?

José Maria - Fica bem nítido o quanto Trindade tem a sua marca forte em relação à identidade religiosa, cultural e, por consequência, a econômica. Temos produtos genuinamente trindadenses, que são demandados ao longo da história da cidade de um modo muito forte. As pessoas de fato adentram nossa cidade, quer seja para buscar aqueles produtos genuinamente da fé, que demonstram o Pai Eterno, assim como outros produtos que ligados ao consumo no dia a dia das famílias. É o caso da nossa gastronomia, nosso artesanato, enfim, a cultura que representa toda cultura goiana. E hoje esses produtos podem ser encontrados numa das maiores feiras livres existentes do nosso estado, que é a própria feira de Trindade, que ali você tem uma vasta gama de produtos regionais, ofertados por diversos empreendedores, desde aqueles que estão vinculados ao agronegócio, às tradições, à questão cultural, ao artesanato na nossa cidade. Hoje procuramos também incentivar esses produtores, com linhas de crédito específicas, em parceria com a Goiás Fomento, para que possamos entregar de forma desburocratizada, com juro acessível, carência interessante, para que esses produtores possam incrementar os seus negócios e buscar cada vez mais alavancar sua linha de produção. Agora é trabalharmos para que de fato possamos mostrar o quão Trindade, além do aspecto religioso, tem essa outra faceta econômica. Se buscarmos um destaque, por exemplo, para a gastronomia dentro do calendário de ações da nossa cidade, podemos falar do Festival Gastronômico que representa nossa cidade, que marca um calendário poderoso junto com os demais eventos similares no estado, e mais ainda própria EXPOTRIN, mostrando a pujança da atividade mercantil com inegável ligação com a cultura e tradição vinculada também ao agronegócio. Enfim, são várias ações que podemos evidenciar o quão é importante e forte é a economia local.

Blog - O grande desafio citado é manter essa "engrenagem aquecida" para o restante do ano, principalmente no pós-Festa de Trindade que terá início em poucos dias. Quais são as principais ações ou eventos planejados para o segundo semestre de 2026 para evitar a sazonalidade e garantir estabilidade econômica?

José Maria - Um fato que nos traz certa preocupação é fazer com que a cidade tenha esse reflexo positivo, no aspecto econômico, não tão somente no período da Romaria, mas para que isso ocorra são necessárias ações, eventos importantes para que, além da questão do turismo religioso, da prática religiosa, tenhamos também outros atrativo. Por isso, temos um calendário intenso de atividades. E aí eu faço um destaque voltando à própria questão do primeiro grande evento da cidade, começando pela EXPOTRIN, que aconteceu em abril deste ano, e no ano que vem também acontecerá no mês de abril. Depois, na sequência, vem a Romaria, em seguida o Festival Gastronômico que neste ano temos uma particularidade importante voltada para o empreendedorismo local, que simultaneamente haverá também a Feira do Empreendedor, mesmo projeto que tivemos no ano passado, teremos aqui três dias intensos de ações voltadas para o fomento do empreendedorismo, levando qualificação, abrindo oportunidade para a atividade mercantil, com espaço para a divulgação dos produtos, disponibilizando crédito por meio da Caravana Sudeco. Sabemos da dificuldade que os empreendedores têm, quer seja para o capital de giro, quer seja para incrementar os seus maquinários, os próprios projetos de educação continuada que envolvem essas parcerias importantes para levar aos estabelecimentos a qualificação e muitas outras ações para que de fato possamos subsidiar as atividades que produzem, a fim de que se possa acolher bem os turistas e fazer com que permaneçam aqui ao longo de todo ano, conforme o calendário da cidade, o que tem a ver com a promoção do desenvolvimento socioeconômico.

Blog - Com o estoque de empregos formais em Trindade atingindo 18,8 mil vínculos em 2025, impulsionado por serviços e indústria, como o senhor projeta o fechamento de 2026 em termos de novos postos de trabalho gerados diretamente por esse bom momento do turismo?

José Maria - Os números demonstram que Trindade vive um bom momento no aspecto do desenvolvimento socioeconômico. Hoje, temos quase 20.000 empregos, que é o banco de estoque da cidade e, vale um destaque, para dizer que isso vem tendo uma crescente em relação a cada ano. Esse banco de estoque sempre tem caráter superavitário, nunca deficitário, ou seja, as admissões são sempre superiores às demissões. Isso mostra também a pujança do setor produtivo que contempla desde o primário, o agronegócio, o secundário, que são as indústrias e o terciário, o comércio e a prestação de serviço. A nossa expectativa é que possamos fechar o ano com quantitativo ainda maior em relação a essa empregabilidade. Várias empresas estão chegando com o início de operacionalidade já previsto para os próximos meses, uma expansão da quantidade de empregos de grandes conglomerados que contam com o apoio do poder público. Prova disso a expansão do grupo José Alves, Refrescos Bandeirantes (Coca-Cola), com mais de 1 mil empregos e outros grupos econômicos também, caso do grupo Dokmos, na Rodovia dos Romeiros, a GO-060, respondendo por um quantitativo de empregos muito interessante. Atacadão Rio Vermelho, assim como o Costa Atacadão também chegando e elevando bastante o nível de empregabilidade no município. Estamos trabalhando de forma muito incisiva, a própria Secretaria do Trabalho levando qualificação às pessoas. Então isso tudo aumenta a nossa expectativa que é muito positiva, porque quando você trabalha também nessa oportunidade de qualificar pessoas, você atende o mercado do setor produtivo, que espera e precisa de mão de obra mais qualificada. E é nesse contexto que a gente tem procurado sempre trabalhar para que possamos de fato ter um setor produtivo pujante e com quantitativo de emprego, levando oportunidade, renda, qualidade de vida, dignidade às pessoas e por consequência podendo transformar a vida das pessoas, porque a gente sabe que o maior programa social que nós temos de fato é o emprego. E é nesse contexto que Trindade tem sempre apoiado os negócios, independentemente do porte do segmento de atuação, para que possamos levar sempre oportunidade às pessoas.

Blog - E sobre os preparativos para a Festa de Trindade, atividade da qual você é um dos principais gestores públicos?

José Maria - Por determinação do prefeito Marden as ações do poder público há algum tempo já vêm acontecendo e decretos já foram publicados, deliberações importantes implementadas. Temos, por exemplo, o decreto que cria a Central de Gestão Integrada publicado, onde essa gestão integrada traz o contexto dos principais atores que atuam diretamente na Romaria, desde as forças de segurança como um todo, passando pela representação do Santuário Basílica, Igreja Matriz, RedeMob e CMTC no que tange ao transporte coletivo urbano de passageiros. A atuação da Equatorial, da Saneago, das Secretarias Municipais que têm envolvimento direto com na Romaria, com seus planos estratégicos devidamente alinhados, trabalhando assim como o Governo de Goiás igualmente trazendo essa atuação imprescindível com a OVG, por determinação do governador Daniel Vilela, amparando as ações do poder público. Isso tudo com a intenção de que possamos ter uma Romaria organizada, com muita segurança e de forma muito acolhedora. Estamos trabalhando e vamos continuar atuando a quatro mãos. E tenho certeza de que com isso vamos entregar aos romeiros uma das melhores e maiores Romarias de todos os tempos, porque é isso que os mais de 4 milhões de pessoas que esperamos adentrar a nossa cidade desejam, assim como os trindadenses merecem.

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