Trindade virou endereço para quem quer investir - e isso é bom, mas exige atenção

Movimentação no entorno da Rodovia dos Romeiros sinaliza que a cidade entrou no radar do mercado imobiliário. A pergunta que fica é: crescer para quem?

Vista aérea de Trindade, a Capital da Fé. (Foto: Secom)

Transitando pra lá pra cá nos 17 Km da GO-060 entre Goiânia e Trindade inevitavelmente se vê as etapas iniciais da construção de um empreendimento imobiliário próximo ao Vale do Cerrado. As obras chamam atenção pela escala e pela localização estratégica. Tudo indica que está em gestação um condomínio horizontal na região da Rodovia dos Romeiros - mais um sinal de que a Capital da Fé entrou definitivamente no mapa dos grandes negócios da região metropolitana.

A proximidade com Goiânia, a força do turismo religioso - com a Festa do Divino Pai Eterno atraindo mais de 4 milhões de pessoas por ano - e os investimentos recentes em infraestrutura urbana completam o quadro que atrai olhares e capitais para a cidade.

Trindade cresceu rápido. Muito rápido. E crescimento acelerado, quando não acompanhado de planejamento urbano rigoroso, costuma produzir cidades com dois rostos: um de vitrine, outro de periferia esquecida. Os empreendimentos de alto padrão chegam com promessas de qualidade de vida - e entregam isso, dentro dos seus muros. A questão é o que acontece do lado de fora, internautas que vez por outra visitam este espaço.

Afinal de contas, mobilidade urbana, saneamento, habitação popular, serviços de saúde e educação pública precisam crescer na mesma proporção que os empreendimentos privados. Do contrário, o desenvolvimento fica concentrado e a conta, como sempre, vai para quem já tem menos. Eis, a lição que outras cidades da região metropolitana de Goiânia já ensinaram.

Trindade está crescendo. Isso é bom. A cidade merece o reconhecimento e os investimentos que estão chegando. Mas crescer bem é uma arte que exige mais do que obras e lançamentos. Exige que quem decide - poder público, mercado e sociedade civil - tenha clareza de que cidade quer construir. Para todos, não apenas para alguns. 

Comentários